Uma Cabana no
Telhado
por
David Wilkerson
Aqui na igreja de Times Square designamos o ano de 1988 como
o ano de oração pelo reavivamento. Ao dizer
"reavivamento" não estamos pensando em algum grande alvoroço
emocional, com as pessoas vindo de quilômetros ao redor a fim de ver algo
sensacional. Nada disso; estamos querendo um povo preparado — preparado em
santidade para ser habitação da presença de Deus! Queremos um reavivamento da
santa presença do Senhor, onde as coisas são tão agradáveis a Deus, que ele
descerá para satisfazer cada necessidade — onde sua glória é revelada!
No capítulo oitavo de Neemias encontra-se o que eu chamo de
"cinco evidências absolutas de reavivamento". Não se pode chamar de
reavivamento ou despertamento a menos que estejam presentes todas essas cinco
evidências. Neemias é um livro que fala de reavivamento. É a história de 42.360
judeus que do exílio na Babilônia voltam a Jerusalém para reconstruir os muros
e voltar aos antigos caminhos de santidade e de verdadeira adoração. A saída
deles de Babilônia representa o tipo de crente que deixa as igrejas mortas,
contemporizadoras, mundanas, e saem como remanescente dirigindo-se para a Santa
Sião, a fim de voltar aos antigos caminhos, e prosseguir com um povo e pastores
que andam na verdade.
Este remanescente santo arregaçou as mangas e trabalhou em
unidade para remover o entulho e a sujeira que haviam poluído Jerusalém.
Reconstruíram os muros que estavam em ruínas e edificaram as portas. É isto que
estamos fazendo na igreja de Times Square: removendo o entulho que foi
acumulado, o entulho de falsas doutrinas, de materialismo, de pecado e
contemporização no púlpito e nos bancos! Estamos reconstruindo os muros que
desmoronaram. Centenas de pessoas do povo de Deus têm sido saqueadas e
devastadas pelas forças satânicas; lares e casamentos têm vivido em torvelinho;
muitos são apóstatas, morrendo de fome pela Palavra de Deus. Temos trabalhado
juntos para erguer os muros e as portas para que o inimigo seja impedido de
entrar. Deus reuniu um remanescente de todos os que escaparam da Babilônia e
estão prontos a dar os cinco grandes passos que conduzem à restauração e ao
reavivamento.
A
primeira evidência de reavivamento é um grande desejo de ouvir a Palavra de
Deus e a ela obedecer.
"Chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel
nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da
Porta das Águas, e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei
de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. Assim Esdras, o sacerdote,
trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e perante
todos os que podiam entender o que ouviam, no primeiro dia do sétimo mês. Leu
nela de frente para a praça que está diante da Porta das Águas, desde a alva
até o meio-dia, perante homens e mulheres, e os que podiam entender. E os ouvidos
de todo o povo estavam atentos ao livro da lei. .. Abriu Esdras o livro à vista
de todo o povo, porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele,
todo o povo se pôs em pé" (Neemias 8:1-3, 5).
O grito de seus corações era: "Traga-nos a verdadeira
Palavra do Senhor!" Esdras se pôs em pé, sobre um púlpito de madeira, e
leu a Palavra de Deus durante seis horas enquanto a multidão em pé prestava
atenção, aprendendo que a causa dos seus sofrimentos era sua própria obstinação
e rebelião. A mais segura evidência de reavivamento numa alma, numa igreja, ou
numa cidade é a grande fome de ouvir a Palavra de Deus. Os cristãos apóstatas
não querem ouvir a Palavra — ela os aborrece! O que eles querem é excitamento.
Os pregadores apóstatas não pregam muito da Palavra de Deus — pelo contrário,
fazem sermonetes breves. Eles não pregam a Lei porque isso produz convicção de
culpa e sacode a igreja! Ela faz os contemporizadores contorcer-se!
Onde o Espírito Santo está em ação, as pessoas que estão
sentadas nos bancos clamam pela Palavra. Recebo centenas de cartas de santos
esfomeados gritando: "Estamos com tanta fome. Não ouvimos a verdadeira
Palavra. Recebemos a letra morta sem nenhuma unção — pão adormecido!" Onde
Deus está em ação, há Bíblias por toda a parte. Há um excitamento com relação à
pregação e ao ensino e uma verdadeira reverência pela Palavra. Esta é amada e
honrada. Quão triste é que em muitas igrejas carismáticas a pregação é
simplesmente aturada. Impacientes esperam que ela termine, para chegar ao louvor
e à adoração. O que desejam é música, entretenimento, e cantores especiais!
Quando o Espírito Santo vem, já não há evangelista ou mestre espetacular no
palco central, senão a Palavra sendo aclamada. O grito dessa gente será:
"Senhor, eu quero tudo: o bom, o mau, os mandamentos, as promessas, o
conselho todo de Deus!"
A segunda evidência de
reavivamento é um arrependimento que quebranta o coração.
"Esdras louvou ao Senhor, o grande Deus; e todo o
povo respondeu: Amém! Amém! levantando as mãos. Então se inclinaram e adoraram
ao Senhor, com o rosto em terra. Os levitas... ensinavam a lei ao povo, e o
povo estava no seu posto. Leram no livro da lei de Deus, esclarecendo-a e
explicando o sentido, de modo que o povo pudesse entender o que se lia. Então
Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que
ensinavam o povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso
Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Pois todo o povo chorava,
ouvindo as palavras da lei" (Neemias 8:6-9).
A primeira reação do povo à Palavra foi de excitamento e
alegria. Eles gritavam "Amém! Amém! levantando as mãos". Davi disse:
"Erguei as mãos no santuário e bendizei ao Senhor" (Salmo134:2). Mas
a Palavra logo os fez inclinar-se sobre seus rostos. Isto é verdadeiro
arrependimento quando a Palavra de Deus nos faz prostrar com o rosto em terra.
"Todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei." Eles tremeram
diante da Palavra de Deus, depois levaram-na a sério e se arrependeram.
Quando acontece o reavivamento do Espírito Santo, os
cristãos não guardam rancores — não fazem mexericos, não caluniam nem vivem
procurando erros nos outros. Não vivem procurando endireitar a igreja ou os
pastores. Não se assentam em roda, vidrados em frente da TV! Não! Eles estão
inclinados sobre seus rostos, diante de Deus, chorando, porque a Palavra
despedaçou-lhes o coração. Não julgam, nem olham para os outros. Estão sendo
convencidos da culpa pela Palavra por não estarem eles mesmos à altura dela!
O terceiro sinal de
reavivamento é um incrível espírito de alegria e celebração.
O terceiro sinal de reavivamento é um incrível espírito de
alegria e celebração.
"Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as
doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si. Este dia é
consagrado ao nosso Senhor. Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a
vossa força. Os levitas fizeram calar a todo o povo, dizendo: Calai-vos, pois
este dia é sagrado. Não vos entristeçais. Então todo o povo se foi a comer, a
beber, a enviar porções e a celebrar com grande alegria, porque agora entendiam
as palavras que lhes foram comunicadas" (Neemias 8:10-12).
Onde quer que o amor à Palavra de Deus seja restaurado e
haja arrependimento, e onde verifica-se a extinção do pecado, sempre se
manifestará uma onda poderosa de alegria e celebração.
Mas há um tipo de alegria
hipócrita e celebração falsa na terra em nossos dias: É a celebração do eu e da
idolatria — a dança ao redor do bezerro de ouro! Necessitamos de grande discernimento
para diferençar entre a verdadeira alegria do arrependimento e o falso regozijo
dos idolatras.
Moisés e Josué desceram do monte e ouviram uma gritaria no
acampamento: "Não é alarido dos vitoriosos, nem alarido dos vencidos mas é
a voz dos que cantam que eu ouço" (Êxodo 32:18). Estavam todos gritando,
cantando e dançando, e Moisés sabia todo o tempo que aquilo era da carne. Ele
sabia que eram um povo de dura cerviz, rebelde, cheio de lascívia, imoralidade,
luxúria e sensualidade. Era o grito da idolatria!
Você é capaz de estabelecer a diferença? Se não houver
pregação da Lei para convencer do pecado — se não houver choro ou rostos
inclinados até ao chão — se não houver amor à Palavra reprovadora de
Deus — se não houver arrependimento — então não há alarido espiritual, não
haverá cântico piedoso! Tome cuidado! Você pode ser apanhado no cântico da
idolatria.
Por que houve tanta alegria, tanto espírito festivo de
júbilo neste reavivamento registrado no livro de Neemias? Eles tiveram uma
grande felicidade "porque agora entendiam as palavras que lhes foram
comunicadas" (Neemias 8:12). Em outras palavras, eles a discerniram e a
levaram a sério: obedeceram!
A
quarta evidência de reavivamento é uma cabana no telhado!
"No dia seguinte ajuntaram-se os cabeças de famílias
de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, na presença de Esdras, o escriba,
para atentarem nas palavras da lei. Acharam escrito na lei que o Senhor
ordenara por intermédio de Moisés, que os filhos de Israel habitassem em
cabanas, durante a festa do sétimo mês, e que publicassem e fizessem passar
pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalém, dizendo: Saí à região
montanhosa, e trazei ramos de oliveiras, ramos de zambujeiros, ramos de murtas,
ramos de palmeiras e ramos de árvores frondosas, para fazer cabanas, como está
escrito. Assim saiu o povo, e trouxeram os ramos e fizeram para si cabanas,
cada um no eirado da sua casa, nos seus pátios, nos átrios da casa de Deus, na
praça da Porta das Águas e na praça da Porta de Efraim. Toda a congregação dos
que tinham voltado do cativeiro fizeram cabanas e nelas habitaram. Nunca tinham
feito assim os filhos de Israel desde os dias de Josué, filho de Num, até
aquele dia. E seu regozijo foi muito grande" (Neemias 8:13-17;).
A Palavra do Senhor foi restaurada e o arrependimento e a
obediência foram autênticos. A alegria do Senhor se tornara a força deles, mas
algo estava faltando: as cabanas! Não pode haver reavivamento real e duradouro,
nem plenitude de Deus, enquanto não erigirmos uma cabana! Esta é
verdadeiramente uma mensagem para estes últimos dias.
Os dirigentes, os sacerdotes e os levitas ajuntaram-se a
Esdras para examinar as Escrituras e ver o que Deus desejava deles. Encontraram
algo que o Senhor havia ordenado anos antes, um mandamento perpétuo que tinha
sido negligenciado desde os dias de Josué. Esse mandamento encontra-se em
Levítico 23:40-43:
"No primeiro dia tomareis para vós frutos de árvores
formosas, folhas de palmeiras, e ramos de árvores cheias de folhas, e durante
sete dias vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus. Celebrareis esta festa ao
Senhor durante sete dias cada ano. É estatuto perpétuo pelas vossas gerações;
no sétimo mês a celebrareis. Sete dias habitareis em tendas: Todos os naturais
em Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que eu fiz
habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu
sou o Senhor vosso Deus."
Por sete dias o povo de Deus devia erigir um abrigo
provisório (no hebraico, "Sukkah") feito com um teto de vários ramos.
A ordem que receberam era para morar em seus abrigos por sete dias.
O jornal New York Times edita, na época determinada,
uma seção inteira sobre a construção do Sukkah. Na cidade de Nova York elas são
construídas sobre minúsculas sacadas, pequenos quintais, e no alto dos telhados
no final de setembro, indo até à primeira semana de outubro. Dos 613
mandamentos judaicos, este é ainda considerado um dos mais importantes. Os
judeus ortodoxos o praticam rigorosamente. Morar na cabana ainda significa
hoje:
"Estamos apenas de passagem por este mundo — apenas
passando a noite — de modo que não devemos estar preocupados com seus prazeres
e vaidades." A Sukkah é tão sagrada para o judeu que é ato pecaminoso
tirar até mesmo uma lasquinha dela e usá-la como palito de dentes! Até mesmo um
odor desagradável a poluirá. Diz-se: "Se alguém não pode guardar o Sukkot
(a Festa dos Tabernáculos ou das Tendas), ele não pode guardar nenhum dos 613
mandamentos da Tora!"
Os dirigentes de Jerusalém na época de Neemias fizeram uma
proclamação: "Celebraremos de novo a festa do Sukkot! Saiam às montanhas e
tragam ramos de oliveiras, de pinheiros, de murtas e de palmeiras. E façam sua
Sukkah, conforme está escrito." Que emoção deve ter enchido o ar:
crianças e famílias, todas carregando ramos, construindo Sukkahs! Que bela
vista deve ter sido do alto: sobre cada eirado uma cabana — em cada lote vazio
ou praça da cidade, no pátio do templo, os visitantes acampando-se — até mesmo
Esdras, Neemias e todos os sacerdotes! Por sete dias ninguém comia ou dormia em
sua própria casa — ninguém dormia nos alojamentos. Toda a população morava
nessas cabanas provisórias!
Não eram sete dias de dureza. Ao contrário, eram sete dias
de júbilo, de grande alegria. "Durante sete dias vos alegrareis perante o
Senhor vosso Deus" (Levítico 23:40). "Durante sete dias celebrarás a
festa ao Senhor teu Deus, no lugar que o Senhor escolher. Pois o Senhor teu
Deus há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, e a
tua alegria será completa" (Deuteronômio 16:15).
Há, hoje, muita pregação sobre esta Festa dos Tabernáculo*!.
Dizem que a igreja está entrando no seu tempo de colheita, "uma colheita
do grão e do vinho", um tempo de bênção e prosperidade — que estamos numa
época de grande regozijo e cântico um tempo de gloriosa alegria no Senhor! O
que está ausente delia mensagem é a Sukkah, a mudança para a cabana! Todo o
louvor, adoração, alarido, e alegria deviam estar sob a cabana, "tio
lugar que o Senhor escolher".
Que é que tudo isto significa para nós hoje? Que é que a
Sukkah tem que ver com andar com Jesus agora?
A
Sukkah significa que somos estrangeiros aqui, cidadãos de outro país.
Os sete dias passados na cabana aludiam ao espaço de vida
humana de setenta anos. A Sukkah lembrava-lhes a brevidade da vida aqui. O
estiolamento das folhas representava a decadência da vida, da saúde e da força.
Deus queria que seus corações e mentes estivessem postos na eternidade. Eles
deviam lembrar a si mesmos e aos filhos: "Estamos apenas acampando aqui.
Não nos regozijemos somente por todas as bênçãos temporais, mas nossa esperança
e alegria estão na cidade que desce do céu, Sião!"
No tempo de Neemias, era isto que Deus desejava que
entendessem: "Vocês reconstruíram os muros, assentaram as portas,
estabeleceram lares, e plantaram hortas e vinhas. O Senhor tem sido bom, mas
este não é o lugar de repouso do povo. Vocês devem buscar uma cidade cujo
arquiteto e edificador é Deus!"
Davi amava a Sião, sua cidade. Ele escreveu grandes poemas e
cânticos a respeito da sua beleza: "Formoso de sítio, a alegria de toda a
terra é o monte de Sião... a cidade do grande Rei" (Salmo 48:2). Davi
enriqueceu e deu carregamentos de ouro e prata para a edificação do templo,
"de ouro, de prata, de bronze e de ferro que não se pode contar" (1
Crônicas 22:16). Entretanto, Davi faz esta incrível declaração: "pois
habito contigo como um estrangeiro, um peregrino, como o foram todos os meus
pais" (Salmo 39:12). Isto foi dito depois que Israel estava estabelecido e
próspero.
"Peregrino" significa estrangeiro residente,
alguém que está de passagem. A palavra "estrangeiro" no hebraico
deriva-se de uma raiz que significa "encolher-se de medo, como num lugar
estranho". Nossos pais na fé consideraram este mundo "uma terra
estranha". Eles eram estrangeiros, cidadãos de outro mundo.
"Pela fé Abraão, sendo chamado para um lugar que
havia de receber por herança, obedeceu e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé
peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia, habitando em tendas com
Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Pois esperava a cidade que
tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor. Todos estes morreram
na fé. Não alcançaram as promessas. Viram-nas de longe, e as saudaram. E confessaram
que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Ora, os que dizem tais coisas,
claramente mostram que estão buscando uma pátria. E se, na verdade, se
lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. Mas
agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não
se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, pois já lhes preparou uma
cidade" (Hebreus11:8-10, 13-16).
Eles desejavam uma "pátria melhor, isto é, a
celestial". Há uma pátria melhor do que qualquer terra natal. É a Nova
Jerusalém — céu com Cristo.
Deus
sabe com que facilidade nos deixamos cegar por suas bênçãos.
Por que Deus iria colocar a nação inteira em cabanas por
sete dias? Porque ele conhece o terrível perigo que seus filhos correm quando
abençoados. Ele sabe com que facilidade somos levados de roldão e nos
esquecemos dele, tornando-nos cegos pela comodidade e conforto. Ele sabe quão
propensos somos a auto-adulação, tornando-nos enredados pelas coisas da terra.
O cântico de Moisés foi uma profecia, predizendo a final
apostasia do povo de Deus uma vez que se tornassem prósperos.
"Engordando-se (o povo de Deus), deu coices (tornou-se ingovernável);
engordou-se, engrossou-se, cobriu-se de gordura, e deixou a Deus, que o fez,
desprezando a Rocha da sua salvação" (Deuteronômio 32:15). Esta não é uma
mensagem apenas para os abastados, mas para todos nós. Quanto mais somos
abençoados, tanto mais tendemos a querer, a cavar neste mundo, a afeiçoar-nos,
a comprar e gastar mais.
Tudo quanto compramos é mais uma corda que nos amarra a esta
terra! O Senhor quer que nossos corações estejam "na cabana", na
Sukkah. Todo o santo dia, muitas vezes ao dia, ele nos faria lembrar: "Sou
estrangeiro! Sou apenas peregrino! Não finquei raízes aqui. Estou a caminho de
uma pátria melhor. Graças te dou, Senhor, por todas as minhas bênçãos — porém
me regozijo de ser um cidadão de Sião."
Nada possuímos aqui na terra
Tudo o que Deus nos dá é dado em arrendamento! Somos tão-só
os arrendatários. Há muita coisa escrita sobre a Terra Prometida. Deus prometeu
dar a Israel a terra de Canaã, terra que mana leite e mel, mas Deus nunca lhes
deu a escritura de propriedade — ele só arrendou a eles. "A terra não será
vendida perpetuamente, porque a terra é minha; e vós estais comigo estrangeiros
e peregrinos" (Levítico 25:23). Eles podiam vender apenas os direitos de
colheita, e até os mais pobres tinham sua terra liberada no ano do jubileu.
Deus é o dono de tudo o que temos. Continuamos dizendo:
"Senhor, eu te dou isto de volta!" Mas na realidade nunca possuímos
coisa alguma. "Pois meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de
colinas... é meu tudo o que se move no campo.. .pois meu é o mundo, e tudo o
que nele há" (Salmo 50:10-12). O Senhor nos está dizendo: "Vai para a
cabana sobre o telhado — examina o teu coração!" Você é um mordomo justo
da propriedade de Deus? À luz da eternidade, à luz da fragilidade da vida,
quanto você gasta consigo mesmo, em comparação com a obra de Deus?
O grande efeito do derramamento do Espírito Santo é a
colocação de tudo sobre o altar de Deus, à medida que retiramos nossos olhos
das coisas que possuímos. Foi dito no Pentecoste: "Era um o coração e a
alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía
era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns" (Atos 4:32).
A tenda
é um lembrete para que nos abstenhamos de todas as concupiscências carnais.
"Amados, peço-vos, como a
peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da abstenhais
das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma" (1 Pedro
2:11). É quase impossível para alguém que esteja abaixo dos cinqüenta anos de
idade pensar em valores eternos, pois supõem que ainda têm muito tempo de
sobra. Quando a gente entra na casa dos sessenta e dos setenta anos, a natureza
nos ensina quão breve é a vida! É muito mais fácil pensar em ser estrangeiro
aqui! Mas Deus faz todos nós pararmos no vigor da vida, para
perguntarmos a nós mesmos: "Será que nossa juventude, nossas paixões
danosas valem o risco à luz da eternidade?"
Moisés preferiu "ser
maltratado com o povo de Deus do que, por algum tempo, ter o gozo do
pecado" (Hebreus 11:25). Por isso o Senhor instruiu-nos a ir para a
cabana, considerar a brevidade da vida, sofrer por algum tempo, suportar pela
alegria que está diante de nós (veja Hebreus 12:2). "O que é a vossa vida?
É um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece" (Tiago 4:14).
Experimente dizer isto aos jovens!
A cabana tem em mira tirar o
mundo de nós. Vá lá! Despedace a ambição! Mate o orgulho! Todos os objetivos
fracassados, estabelecidos pela ambição, são portas abertas para paixões e
pecados/ de todos os tipos. As pessoas dizem: "De que adianta? Nunca
conseguirei nada." E assim entregam os pontos! Estão dando ouvidos a espíritos
mentirosos. Reconheça essas vozes pelo que elas são: demoníacas.
A
evidência final de reavivamento é a absoluta separação do mundo.
Sem uma vida de arrependimento e de separação do
mundo não pode haver verdadeiro reavivamento. "Os da linhagem de Israel
apartaram-se de todos os estrangeiros, puseram-se em pé e confessaram os seus
pecados e as iniqüidades de seus pais" (Neemias 9:2). Onde quer que haja
uma restauração bíblica, haverá uma consciência sempre crescente do chamado do
Senhor para separação de tudo o que é mundano e sensual.
Tenho observado no decorrer dos anos que o cristão de viver
santo, que se consome em Cristo, é que influencia o mundo secular. Os ímpios
esperam que o cristão seja separado e limpo.
Esperam que os cristãos sejam totalmente
diferentes deles. Nas ruas das grandes cidades, infestadas pelo crime, com
espíritos demoníacos devastando por todos os lados – só um cristão puro,
separado, cheio de Cristo pode caçar o inimigo. Os contemporizadores são
afugentados e seus próprios pecados os condenam.
Deus está suscitando um remanescente de crentes que desejam
o reavivamento - e estes serão moldados à imagem de Jesus Cristo. E quando o
reavivamento vier em sua plenitude, a maioria dos cristãos não o reconhecerá –
ou, se o reconhecerem, o rejeitarão. O remanescente separado ouvirá o som da
trombeta e saberá o que Deus está dizendo.
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