Humilhado por Deus
por
David Wilkerson
Humilhar significa "reduzir a dignidade e o
orgulho de uma pessoa", rebaixar. Tenciono mostrar-lhes nesta
mensagem que Deus humilha aqueles a quem ele ama. Com efeito, a menos que você
tenha experimentado esta divina humilhação, não está preparado para ser
plenamente usado por Deus; não está preparado para receber de sua plenitude.
Deus humilha seu povo apenas com o intuito de prepará-los
para um maior aproveitamento — princípio que vemos em operação por toda a
Escritura. Podemos exemplificar melhor esta humilhação da parte de Deus através
das experiências dos filhos de Israel. Deus libertou seu povo operando grandes
milagres — depois os levou a um deserto estéril e os humilhou de forma total!
Depois de 400 anos de escravidão, os israelitas perderam a esperança de algum
dia conhecer a liberdade ou possuir sua própria terra. Então apareceu entre
eles um profeta chamado Moisés pregando a esperança. Ele ia de uma fornalha de
tijolos para outra, de um campo para outro, e de casa em casa, falando ao povo:
"Então disse o Senhor: De fato tenho visto a aflição
do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus
opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso desci para livrá-lo das
mãos dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra para uma terra boa e
espaçosa, para uma terra que mana leite e mel" (Êxodo 3:7-8).
"Pois tu és um povo santo ao Senhor teu Deus. O
Senhor teu Deus te escolheu para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os
povos que há sobre a terra. O Senhor não se afeiçoou de vós, e vos escolheu por
serdes mais numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menos em número
do que todos os povos. Mas porque o Senhor vos amava, e para guardar o
juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão forte, e vos
resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito"
(Deuteronômio 7:6, 8).
Ali estavam eles, suando, cansados, vivendo mal - enquanto
Moisés lhes pregava uma brilhante mensagem de esperança! Viram o
poder portentoso de Deus quando ele os livrou por meio de um milagre após
outro, demonstrando ao mundo como ele protege e livra os seus.
Na ocasião, Israel vivia em Gósen — um estado egípcio
escravo. Mas Deus disse ao Egito: "Farei distinção entre o meu povo e o
teu povo" (Êxodo 8:23). E durante o decorrer de dez terríveis pragas o
povo de Deus permaneceu intacto!
Primeiramente, Moisés ergueu sua vara e feriu as águas do
Egito e elas se tornaram sangue. Até mesmo a água guardada nos vasilhames de
madeira ou pedra foram contaminadas. Os peixes morreram e os rios exalavam mau
cheiro! Durante vários dias a água se tornou imprópria para beber — mas em
Gósen, o povo de Deus bebia água fresca e pura.
Depois Arão estendeu a mão sobre as águas, e ondas de rãs
surgiram e cobriram a terra. Em cada casa, cozinha, quarto de dormir, pátio dos
palácios, armazém e templo, não havia lugar para deitar-se ou sentar-se por
causa da invasão de rãs! Mas em Gósen as rãs ficaram nas águas, e todos os
israelitas ouviam o seu coaxar. Que panorama para Israel contemplar enquanto os
egípcios reuniam rãs mortas em grandes montões, "e a terra cheirou
mal!" Mas não em Gósen!
Enquanto Faraó endurecia o coração contra Deus, de novo a
vara era usada - desta vez para ferir o pó. O pó tornou-se em piolhos, que
atacaram todo o povo e todos os animais. Alguns interpretam isto como uma praga
de moscas ou mosquitos: "Esses mosquitinhos molestavam os animais e as
pessoas, entrando-lhes nos olhos e nas narinas, levando-os à fúria. As vezes os
animais eram torturados até à morte por esta invasão." Mas em Gósen não
havia piolhos, nem mosquitinhos, nem moscas!
A seguir veio a invasão de
moscas — enxames de moscas como nuvens negras, "e a terra ficou arruinada
com estes enxames". Alguns dizem que esta praga incluía besouros, moscas
do gado, moscas dos cães, e todo tipo de moscas. "A terra foi
assolada" (Êxodo 8:24). Mas, "a terra de Gósen, em que meu povo habita...
não haja enxames de moscas" (Êxodo 8:22).
Depois disso veio a praga sobre o gado do Egito. Cavalos,
camelos, bois, ovelhas, burros e vacas caíram mortos por todo o Egito.
"Mas do gado dos filhos de Israel não morreu nem um" (Êxodo 9:6).
A praga seguinte foi a das úlceras. Estas não eram como as
que conhecemos; antes, eram chamadas de "coisa mal feita do Egito",
lepra negra, elefantíase — todas causadoras de desfiguramento.
Após esta veio a grave chuva de pedras, com relâmpagos e
trovões, "e fogo desceu à terra" e "havia saraiva misturada com
fogo". Era "tão grave qual nunca houve em toda a terra do Egito,
desde que veio a ser nação". Ela "feriu tudo o que havia no
campo" (Êxodo 9:23-25). E em Gósen? Nem uma pedrinha em parte alguma!
A seguir veio a invasão de gafanhotos que "cobriram a
face de toda a terra" (Êxodo 10:15). Eles escureceram o céu "e não
ficou verdura" (versículo 15). Entretanto, em Gósen não houve gafanhotos e
o sol brilhou em todo o seu esplendor.
Depois dos gafanhotos veio a praga de trevas, tão densas que
podiam ser apalpadas (Êxodo 10:21). Estas duraram três dias e eram tão intensas
que os egípcios não podiam ver uns aos outros. "Mas todos os filhos de
Israel tinham luz nas suas habitações" (versículo 23).
A décima e última praga foi a visita de um anjo da morte que
matou todos os primogênitos: "Levantou-se Faraó de noite... e todos os
egípcios; e havia grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não
houvesse um morto" (Êxodo 12:30). O Egito foi dizimado — completamente
desmoralizado. Em Gósen, todavia, nem um morto sequer!
"Nesse mesmo dia, todos os
exércitos do Senhor saíram da terra do Egito" (Êxodo 12:41). Os israelitas
deixaram o Egito com gloriosas promessas soando em seus ouvidos: "Tu, com
a tua beneficência guiarás o povo que remiste. Com a tua força o levarás à tua
santa habitação" (Êxodo 15:13). "Espanto e pavor cairão sobre eles
(teus inimigos). Pela grandeza do teu braço emudecerão como pedra" (Êxodo
15:16). "Ele... te abençoará e te fará multiplicar... o fruto da tua
terra, o teu cereal, o teu vinho, o teu azeite, a cria das tuas vacas e a cria
das tuas ovelhas... Bendito serás mais do que todos os povos... O Senhor
desviará de ti toda enfermidade. Ele não te afligirá com as terríveis doenças
que conheceste no Egito" (Deuteronômio 7:13-15). "O Senhor teu Deus
está no meio de ti, Deus grande e terrível... ninguém te poderá resistir"
(Deuteronômio 7:21,24).
Então aconteceu o maior de todos os milagres: viram Deus
dividir um poderoso mar, amontoar suas águas e abrir uma via de escape sobre
terra seca! Eles cantaram, dançaram e adoraram a Deus enquanto as águas se
desmoronaram sobre Faraó e seu exército. Viram um exército inteiro varrido pelo
dedo de Deus!
A seguir os israelitas saíram para o deserto chamado Sur
(Êxodo 15:22). Depois se dirigiram ao deserto de Sim (Êxodo 17:1). Quão
prósperos, abençoados e especiais eles se sentiram — pois cada oração havia
sido maravilhosamente respondida! Eles sabiam que estavam protegidos e guiados
por um Pastor bondoso, sábio, e cantavam as promessas divinas.
Mas no dia seguinte acordaram sentido dores de fome! Todos
os pães sem fermento já haviam sido comidos, e não havia alimento de espécie
alguma no arraial. "... foram lançados fora do Egito e não tiveram tempo
de preparar para si provisões" (Êxodo 12:39). Trinta dias depois de
haverem deixado o Egito, dois milhões de pessoas haviam chegado ao fim de seus
recursos! As poucas cabeças de gado que possuíam, estavam fracas e magras, só
davam para alimentar umas poucas pessoas, e ficariam sem nenhum animal para
reprodução em sua nova terra.
Deus
levou a Israel a um nível de total humilhação
Os filhos de Israel estavam bem desamparados: pais, mães,
príncipes, dirigentes — todos sem ter para onde virar-se. Não havia caravanas
de camelos carregados de provisões. Não havia frutas secas, nem peixes secos,
não havia pão, nem figos, nem tâmaras, uvas ou castanhas. Sem dúvida viram o
comboio de suprimentos de Faraó desaparecer — enormes lonas carregadas de
alimento flutuando sobre o mar Vermelho! A lógica do povo deve ter sido:
"Deus sabia exatamente o dia e a hora em que deixaríamos o Egito. Moisés
conversa com Deus — então por que ele não nos disse que devíamos trazer
provisões de alimento para seis meses? Até mesmo os comandantes do Egito
dispensam melhor tratamento aos seus soldados. Por que nos ordenaram pedir todo
este ouro, prata e jóias? Isto não é coisa que se possa comer — não tem valor
algum aqui!"
Não havia nem mesmo grama à vista — não havia animais para
caçar — não havia árvores com fruto — não havia estrangeiros com os quais
efetuar troca. Não poderiam ter voltado ao Egito ainda que desejassem fazê-lo —
o mar Vermelho bloqueava-lhes a retirada! E ainda que pudessem ter contornado o
mar, os egípcios teriam impedido a volta.
Assim, no momento, nada havia senão um deserto sombrio e
tenebroso pela frente. As crianças choravam e as esposas torciam as mãos em
desespero. Todo pai e marido estava desamparado e humilhado. Todos eles se
reuniram em torno de Moisés e se queixaram: "Tu nos trouxestes a este
deserto, para matardes de fome a toda esta multidão" (Êxodo 16:3).
Isto era uma humilhação para Israel — e uma lição para nós
hoje. "Ora, estas coisas aconteceram como exemplos, para que não cobicemos
as coisas más, como eles cobiçaram... estão escritas para aviso nosso, para
quem já são chegados os fins dos séculos" (I Coríntios 10:6,11).
Israel não estava preparado
para lidar com todas as bênçãos que Deus havia reservado para eles
"Ele te afligiu, e te deixou ter fome; depois te
sustentou com o maná... para te dar a entender que não só de pão vive o homem,
mas de tudo o que sai da boca do Senhor" (Deuteronômio 8:3).
A primeira lição deste versículo encontra-se nas palavras:
"e te deixou ter fome." Foi isso 40 anos mais tarde, e Moisés não
queria que Israel se esquecesse desta lição de humilhação. "Lembrar-te-ás
de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes
quarenta anos" (Deuteronômio 8:2).
Lembre-se, foi Deus quem os deixou ter fome — Deus que os
levou para fora despreparados e trouxe esta crise sobre eles — e Deus que os
colocou de costas contra a parede e tornou os céus como bronze. Foi Deus quem
os conduziu a circunstâncias tão humilhantes! Satanás nada tinha que ver com a
medonha situação em que se encontravam. Era tudo uma prova para revelar o que
havia no coração do povo, "para te humilhar e te provar, para saber o que
estava no teu coração" (Deuteronômio 8:2).
Ele sabe o que está em nós, mas quer que nós também o
saibamos. A prova a que os israelitas foram submetidos não era para conhecer a
dose de coragem que possuíam para enfrentar poderosos inimigos, ou gigantes, ou
carruagens de ferro, porque Deus já se empenhara em lutar suas batalhas por
eles. Mas era para prepará-los para as bênçãos, pois estavam despreparados — a
incrível prosperidade: boas casas, tonéis cheios de vinho, rios de leite,
abundância de mel, trigo e gado — para não mencionar todos os tipos de bênçãos
espirituais.
"Pois o Senhor teu Deus te introduz numa boa terra,
terra de ribeiros de águas, de fontes e de mananciais profundos que manam dos
vales e das montanhas; terra de trigo, cevada, vides, figueiras e romãzeiras;
terra de oliveiras, de azeite e mel; terra em que comerás pão sem escassez, e
nada te faltará nela; terra cujas pedras são de ferro, e de cujas montanhas
cavarás o cobre. Comerás e te fartarás, bendizendo ao Senhor teu Deus pela boa
terra que te deu. Guarda-te de não te esqueceres do Senhor teu Deus, não
cumprindo os seus mandamentos, os seus juízos e os seus estatutos que hoje te
ordeno; para não suceder que, depois de teres comido e estares farto, de teres
edificado boas casas e habitado nelas, e depois de se multiplicarem as tuas
vacas e as tuas ovelhas, e aumentar a prata e o ouro e tudo quanto tens, se
ensoberbeça o teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da
terra do Egito, da casa da servidão; que te guiou por aquele grande e terrível
deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões, de terra árida e sem água,
onde fez jorrar para ti água da pedra dos rochedos; que no deserto te sustentou
com maná, que teus pais não conheceram, a fim de te humilhar e provar, e afinal
te fazer bem. Não digas no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me
proporcionaram esta riqueza" (Deuteronômio 8:7-17).
Aqui o Senhor está falando não só a Israel — mas a nós hoje.
O objetivo de Deus humilhar o povo nunca esteve em dúvida: Era "a fim de
te humilhar e provar, e afinal te fazer bem" (Deuteronômio 8:16).
Precisava ensinar Israel a lidar com toda a abundância que estava prestes a derramar
sobre o povo. E Deus tem de humilhar-nos da mesma maneira que os humilhou.
Como se pode ver, embora os filhos de Israel estivessem
protegidos pelo sangue, libertos, e guiados de modo sobrenatural, objeto do
amor de Deus e do poder operador de milagres, uma coisa lhes faltava: Eles não
eram dependentes de Deus!
O sangue pode cobrir os seus pecados, mas não faz você
dependente de Deus. Os milagres podem livrá-lo do poder de Satanás, mas não
podem fazê-lo dependente. Você pode ser guiado de maneira sobrenatural por Deus
e ainda não apoiar-se inteiramente no Senhor.
Deus tem de despojar-nos de toda nossa auto-segurança e
destruir tudo quanto resta de justiça própria, orgulho espiritual e vangloria.
Ele deve (e isso faz) humilhar a todos quantos estão destinados a herdar suas
grandes bênçãos espirituais.
Eles tem de tomar um Saulo de Tarso — confiante em si
próprio, justo em si mesmo, consumido com um conhecimento das Escrituras, cheio
do zelo de Deus, pronto para morrer por Jeová — e feri-lo com cegueira! Saulo
tinha de ser humilhado perante o mundo, sendo conduzido por toda parte como uma
criança e aguardar durante dias, desamparadamente, até que Deus agisse. Ele foi
humilhado ao ponto de total dependência!
Neste exato momento encontro-me sob a mão humilhadora de
Deus! Quanto a mim, ainda não atingi o alvo. Se você pensa que está no controle
de toda a situação, e que tudo está bem calculado, que você ouve muito claro a
voz de Deus, que nunca está errado, que todas as suas orações são respondidas —
então cuidado! Você se encaminha para a fome, porque Deus nos reunirá a todos
num nível de fome e desamparo.
A Igreja de Times Square deve ser humilhada — e agora mesmo
está sendo! Temos tido seis meses de orações intensas contra uma determinada
legislação que defende o aborto, não obstante ela ainda funciona. Os
pornógrafos ainda devastam — e Satanás, atrevido, monta uma peça teatral no
mesmo teatro que Deus prometeu dar-nos como lugar de adoração. Por quê? Deus
nos está examinando e provando, despojando-nos de toda confiança depositada no
homem e na carne, levando-nos a uma situação de total dependência dele a fim de
preparar-nos para o grande derramamento de si mesmo.
Deus pode conduzir você a um lugar onde parece que tudo sai
errado: enfermidade, morte, vozes conflitantes, orações aparentemente não
respondidas, promessas de Deus que parecem escarnecer de suas petições e
lágrimas. É a sua hora de humilhação — seu tempo determinado de prova.
"Não só de pão vive o
homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor."
Este texto de Deuteronômio 8:3 é tão poderoso que o próprio
Jesus o usou contra o diabo durante sua grande tentação no deserto (veja Mateus
4:1-4). À semelhança dos filhos de Israel, Jesus também teve fome. Que maior
humilhação haveria do que ser o Filho de Deus e ser levado a um lugar de total
dependência?
Como homem, Jesus aprendeu obediência e dependência pelas
coisas que sofreu, como esta crise de fome. O que Jesus na realidade estava
dizendo era isto: "Não estou aqui para agradar a mim mesmo ou para afagar
a minha carne. Estou aqui para fazer a perfeita vontade de meu Pai." Jesus
entregou cada cuidado humano na mão de seu Pai. Em outras palavras ele disse:
"Gastarei toda a minha vida e todo o meu tempo obedecendo a meu Pai,
fazendo a sua perfeita vontade — e ele cuidará de mim a seu modo."
Jesus sabia que Deus poderia proferir apenas uma ordem:
"Fome — dê o fora!" Mas sabia também que o Pai poderia dar-lhe um
alimento perfeito — por isso ele não vivia pensando em comida, ou bebida, ou
vestes, ou casas. Pelo contrário, buscaria a vontade de Deus em primeiro lugar
e deixaria que o Pai cuidasse de suas necessidades.
Jesus estava dizendo algo muito profundo, com o propósito
de: "Não vim para pedir ao Pai que cumpra sua Palavra comigo; vim para que
eu possa cumprir todas as suas palavras!" Jesus não necessitava de um
milagre para provar a si mesmo o amor que o Pai lhe votava. Ele descansava nas
palavras do Pai. Seu clamor não era: "Deus, cumpre tua palavra
comigo!", mas, ao contrário, "Deixa-me realizar a tua Palavra em
todas as coisas."
Multidões de cristãos hoje são o que eu chamaria de crentes
"pão" -só vivem de pão, sempre pedindo que Deus prove
sua fidelidade. Eles tem uma fome interior e pensam que sabem o que a
satisfará.
Na maior parte dos meus primeiros anos de ministério eu era
um cristão "pão". Tinha uma fome insaciável, impulsionada por
necessidades inexplicáveis. Quando pensei que necessitava de uma nova igreja,
eu a consegui! Quando acreditei que necessitava de um programa na TV, eu o consegui!
Quando necessitava de multidões rejeitadas, eu as consegui! Todas eram coisas
boas em si mesmas; mas eu passava anos orando: "Deus, prova teu poder!
Envia-me dinheiro, estou endividado! Abençoa-me, Senhor! Abençoa meu
ministério! Responde às minhas orações! Deixa-me provar ao mundo que tu tens
todo o poder. Cura os enfermos para provar que tu ainda és o mesmo hoje!"
Assim, é raro Deus encontrar um cristão cujo único alvo seja
conhecer e fazer a vontade de Deus — como Jesus conhecia e fazia — e que
nunca diz: "Deus, onde estás?" mas, ao invés, ora: "Deus, onde
me encontro nesta questão de obediência e dependência?"
Quando comparecermos perante o trono de juízo, não seremos
julgados pelo número de curas que realizamos, ou por quantos demônios expelimos,
ou pelo número de orações que vimos respondidas, ou por quantas grandes obras
realizamos. Seremos julgados com base em nossa dependência e obediência à
Palavra e à vontade de Deus.
No dia e época em que vivemos, temo-nos tornado bons para
"dar ordens" a Deus. Damos ordens ao diabo e aos demônios; damos
ordens às fortalezas para que caiam. Isso é tudo muito bom — mas só quando
clamamos: "O Deus! Ordena-jree/ Dize-me o que fazer — mostra-me como fazer
a tua vontade, como obedecer a cada palavra que sai da tua boca."
Através de todas as coisas, Deus nos está dizendo:
"Quero ser sua única provisão, sua única esperança. Quero ser seu único
objeto de confiança." Meu clamor é: "Ó Deus, tu cuidas do dinheiro —
apenas dá-me a tua mente. Tu cuidas da minha saúde, minha família, minhas
necessidades — apenas dá-me a tua Palavra."
Jesus é toda palavra que
procede de Deus!
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e
o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós. Vimos a sua
glória, a glória como do unigênito do Pai" (João 1:1,14).
Quanto do Verbo se fez carne? Todo ele! "Pois
nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses
2:9). Assim sendo, como podemos viver de toda palavra que procede da boca de
Deus? Será que é pegando um bloco e um lápis e anotando todos os mandamentos de
Jesus, depois nos disciplinando a fixar cada um deles até que os dominemos?
Amados, mesmo depois de decorridos todos esses anos de pregação, não conheço
ainda todos os muitos preciosos mandamentos do Senhor!
Segundo meu modo de ver, há apenas um meio de agradar ao
Senhor: Apresentar seu corpo a ele- tirar o eu do caminho - e
deixar Jesus viver sua vida em você. Paulo disse: "E já não vivo, mas
Cristo vive em mim" (Gaiatas 2:20). Não era uma vida do espírito, mística,
vivida dentro dos limites da mente. Não! Paulo continua no mesmo versículo:
"A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no Filho de Deus".
Devemos oferecer nossos membros a Deus "como instrumentos de justiça"
(Romanos 6:13).
É aqui onde Deus nos está guiando àquela grande e boa terra,
cheia de leite, mel, azeite e vinho — as bênçãos espirituais em Cristo para as
quais Deus nos vem preparando. Quando tivermos um corpo tão morto, crucificado,
humilhado e dependente, Cristo o possuirá e viverá sua vida nele e através
dele. Deus não trabalha por meio da carne — nem mesmo da "boa" carne.
Ele só trabalha por intermédio de seu Filho Jesus!
Paulo era um homem "bom" — santo, imaculado, que
guardava os mandamentos de Deus. Mas esse "bom" Paulo tinha de morrer
diariamente de modo que Cristo pudesse realizar sua obra e viver sua vida
em Paulo. Há um hino que diz: "Quem dera eu fosse sua mão estendida,
alcançando os oprimidos... " Isso é tão verdadeiro! Quando impusermos as
mãos sobre enfermos, nada acontecerá a não ser que sejam em realidade as mãos
de Cristo estendidas, com o eu posto de lado e Jesus realizando as obras de seu
Pai por nosso intermédio.
Quanto a Paulo, o segredo era: "Não eu, mas
Cristo" — um desvestir diário de Paulo e um vestir diário de Cristo.
Entretanto, muitos de nós não queremos viver Jesus; queremos apenas
usá-lo quando for conveniente — desvestir-nos de Jesus e vestir outra roupa!
Viver Cristo não é coisa complicada. Primeiro, você deve
querer a vida dele — de todo o coração e mente. A seguir você deve sair do
caminho, jogar tudo sobre ele, confiando em que ele possua você por completo.
Por fim, creia que o tanto que de você foi esvaziado, ele o encherá -
consigo próprio!
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