O Abominável Orgulho
por
David Wilkerson
O Orgulho ocupa o primeiro lugar da lista de
coisas que Deus não tolera.
"Há seis coisas que o
Senhor odeia, sete que a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa,
mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projetos iníquos, pés
que se apressam a correr para o mal; testemunha falsa que profere mentiras, e o
que semeia contendas entre irmãos" (Provérbios 6:16-19).
A Bíblia diz mais: "Pois tudo o que há no mundo, a
concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é
do Pai, mas do mundo" (1 João 2:16). Na sua maioria, os cristãos admitem
que batalham contra as concupiscências da carne e dos olhos. Sabem o que é a
concupiscência, abominam-na e fogem dela pelo poder do Espírito. Também
reconhecem o orgulho em outras pessoas porque estas parecem ser superiores,
centradas em si mesmas, ambiciosas e arrogantes.
Poucos cristãos, porém, se considerariam orgulhosos. Quase
todos admitirão que não chegaram aonde deveriam, que não se assemelham a Cristo
como desejam e que existem áreas em sua vida que necessitam de melhoria. Mas
poucos cristãos reconhecem o orgulho em si mesmos. Você o reconhece em sua
própria vida? Muitos cristãos admitiriam: "Bem, talvez eu esteja seguro de
mim mesmo — confiante até. Na pior das hipóteses vejo-me como mais talentoso ou
inteligente do que outros. Mas não sou orgulhoso! Dou a Deus todo o crédito
pelo que tenho realizado e por quem sou. Tudo está na sua força. Orgulhoso?
Além do mais, ando em santidade e abro o coração para ser sondado por sua
Palavra. Por certo Deus teria me mostrado o orgulho, se houvesse."
Recentemente Deus me falou ao coração sobre este abominável pecado. Eu disse:
"Senhor, quer dizer que tu queres que eu pregue uma mensagem sobre o
orgulho na Igreja de Times Square, é isso? Deve haver orgulho na congregação."
A resposta do Espírito deixou-me atordoado. "Não, David; desejo que você
pregue a si mesmo sobre o orgulho, a respeito dos tipos sutis de orgulho de que
você é culpado. Primeiro, você deve vê-lo em seu próprio coração, depois então
estará pronto para pregar aos outros." Como a maioria dos demais cristãos,
eu pensava estar, no mínimo, procurando ser humilde. Tomamos cuidado para não
nos vangloriarmos como os fariseus no tocante a sermos melhores do que o
restante das pessoas. Mas lá no íntimo de nosso coração, pensamos: "Não
sou arrogante, jactancioso ou ambicioso em excesso. Então, como poderia eu ser
orgulhoso?"
A Palavra de Deus vem trabalhando comigo, expondo formas de
orgulho que eu ignorava estar tão profundamente arraigadas em mim — um orgulho
que é o pior tipo de todos. Quando o Espírito me disse "Orgulho em você,
David" , eu respondi: "Mas Senhor, não estou tentando ser alguém
importante! Tu sabes disso. Não sou um fanfarrão ou um contador de vantagens.
Estou de maneira honesta tentando diminuir-me de sorte que Cristo possa
crescer. Se há orgulho em mim, não consigo vê-lo. Por favor, mostre-me. Traze-o
às claras para mim!" E foi isso que ele fez. Quando olho para trás, tremo
diante das muitas vezes que cometi este detestável pecado. Sou culpado dele.
Que é o
orgulho?
Deus vê o orgulho de modo inteiramente diferente do que
vemos. Ele mostrou-me que eu tinha uma definição de orgulho estreita demais.
Sim, há um orgulho perverso, jactancioso, arrogante, e hoje em dia este pode
ser visto em quase todos nós. Mas há, também, um orgulho de natureza
espiritual. É praticado pelos que têm andado intimamente com Deus e pode ser
visto no mais santo entre nós. Quanto mais espirituais somos; quanto mais
revelação temos recebido; quanto mais perto de Deus temos andado, tanto mais
hediondo é este pecado quando cometido. Não é um modo de vida, conquanto possa
vir a sê-lo. É um pecado que muitas vezes cometemos mesmo quando ajoelhados,
enquanto buscamos a Deus.
Para que você entenda esta mensagem, quero dar-lhe novas definições
de orgulho e de humildade. Orgulho é independência — humildade é dependência.
Orgulho é má vontade de esperar que Deus atue no seu devido tempo e a seu
próprio modo. O orgulho apressa-se em solucionar as questões com suas próprias
mãos. Uma das maiores tentações com que se defrontam os verdadeiros cristãos é
a de adiantar-se a Deus. É agir sem um claro mandado de Deus. É decidir por si
mesmos quando parece que Deus não está trabalhando depressa como devia. Isso é
impaciência.
Saul não pôde esperar pelo
tempo de Deus
Saul cometeu este terrível pecado em Gilgal, conforme está
relatado no capítulo 10 do primeiro livro de Samuel. Quando Samuel ungiu rei a
Saul, "falou Samuel com Saul, no eirado" (1 Samuel 9:25). Esta
conversa, no eirado da casa, girou em torno da grande guerra que ia ser travada
com os filisteus. Samuel estava preparando a Saul, deixando-o saber que ele era
divinamente chamado para romper esta escravidão. Chegado o tempo oportuno,
quando filisteus e israelitas se aproximavam da guerra, Samuel ordenou a Saul
que não agisse, que não fosse à guerra, até que todo o povo se congregasse em
Gilgal para buscar a direção específica do Senhor. "Descerás diante de mim
a Gilgal... sete dias esperarás, até que eu vá ter contigo, e te declare o que hás
de fazer" (1 Samuel 10:8). Esta deveria ser uma ação total de Deus. Só ele
queria estar no controle.
Samuel representava a voz de Deus. Nenhuma de suas palavras
"deixou cair em terra". Deus, por intermédio de Samuel, dar-lhes-ia
instrução de forma sobrenatural, soberana. Eu "te declararei o que hás de
fazer". Deus faria todos os planos — ele lhes mostraria como conduzir a
guerra. Saul foi instruído a nada fazer, além de ir ao altar em Gilgal e
esperar pela ordem que viria. Mas a guerra começou quando Jônatas derrotou uma
guarnição que estava em Gibeá. "Jônatas derrotou a guarnição dos filisteus
que estava em Gibeá, e os filisteus ouviram. Pelo que Saul tocou a trombeta por
toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreus. Então todo o Israel ouviu dizer: Saul
derrotou a guarnição dos filisteus, e também Israel se fez abominável aos
filisteus. Então o povo foi convocado após Saul em Gilgal" (1 Samuel
13:3,4). Saul esperava impacientemente. "Então o povo foi convocado após
Saul em Gilgal". Israel estava em pânico quando um grande exército
filisteu se aproximava com milhares de carruagens, 6.000 cavaleiros e um
exército que parecia a eles tão numeroso como a areia da praia. O exército de
Saul estava desertando para todos os lados e tinha sido na melhor das hipóteses,
um grupo diversificado sem uma única espada entre eles. Tudo o que eles tinham
eram foices, machados e ferramentas agrícolas. Esta era a verdadeira crise da
guerra, que Samuel discutira com Saul meses antes no eirado da casa. A intenção
era que fosse um tempo de reunião em Gilgal à espera de que Deus desse uma
palavra clara de instrução. Porém Saul deu a Deus um ultimato para que ele
agisse. Se a ordem não viesse até determinada hora, Saul decidiria o que fazer
para salvar a situação. "Esperou Saul sete dias, o tempo que Samuel
determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se foi espalhando dali.
Portanto disse Saul: Trazei-me aqui o holocausto e as ofertas pacíficas. E
ofereceu o holocausto" (1 Samuel 13:8-9).
Esta não era tão-somente uma questão de esperar, mas de
esperar até — até que viesse a ordem, até que fosse dada a instrução do
céu. "Esperarás, até que eu venha ter contigo e te declare". Por que
Samuel atrasou-se umas poucas horas? Porque Saul estava sendo provado para ver
se acreditaria e confiaria em Deus, para ver se Saul obedeceria mesmo que as
coisas não saíssem na hora exata. Samuel demorou-se porque Deus lhe falara de
modo claro e lhe disse que demorasse. Deus desejava que Saul fosse um
testemunho de humilde dependência dele em todas as coisas, em especial numa
crise sombria.
Mas Saul falhou na prova. Ele olhou para as
circunstâncias e tudo lhe pareceu sem esperança. Um espírito impaciente o
esmagava. A lógica dizia-lhe que estava ficando tarde demais, que alguma coisa
tinha de ser feita. Posso ouvir suas palavras: "Não posso aceitar esta
indecisão por mais tempo. Deus enviou-me para fazer seu trabalho e estou
disposto a morrer por sua causa. Mas estou sentado aqui, sem nada fazer. Não há
orientação, não há uma palavra de Deus. Tenho de fazer que aconteça algo, ou
tudo estará acabado. Se continuarmos sem fazer nada, estaremos completamente
fora de controle." Isto é orgulho não mitigado — a necessidade de estar no
controle da situação. Saul acreditava mesmo que as coisas estavam ficando fora
de controle.
É neste ponto que tenho falhado com freqüência. Tenho
detestado não estar no controle das situações. Não que eu queira ser o chefão
ou o senhor sobre outros. Mas não me agrada o senso de desamparo e dependência.
Vivendo em Nova York, esta foi a primeira vez que tive de morar num apartamento
no alto à mercê do senhorio, do superintendente, do sindicato, dos elevadores e
de aquecedores quebrados. Quando as coisas não funcionam, tenho de esperar, e
esperar, e esperar. Digo à minha esposa: "Já estou farto disto. Vamos
comprar nossa própria propriedade, de modo que estaremos no controle. Isto é
ridículo!" Quero estar no comando.
Com relação à Igreja de Times Square, às vezes me sinto como
Saul, com impossibilidades avolumando-se por todos os lados. Sentimo-nos tão
desamparados, e o inimigo nos parece tão grande e poderoso. Fico excessivamente
ansioso e quero comandar todas as decisões. Não gosto de pagar aluguel e ficar
à mercê de senhorios inconstantes. Deus prometeu-nos um lugar permanente. Mas
eu o quero agora! Estou impaciente! Há muita coisa para ser feita e tão pouco o
tempo. Penso comigo mesmo: "Até quando, Senhor? Não me agrada estar fora
do controle. Necessitamos de alguma providência!"
Mas Deus diz: "Você confia em mim? Espere! Tendo feito
tudo o que está ao seu alcance, apenas tenha calma e veja o livramento do
Senhor!" A parte mais difícil da fé é a última meia hora, pouquinho antes
da resposta prestes a aparecer, pouquinho antes de Deus estar prestes a operar
um milagre. É aí que perdemos as forças, desfalecemos, tentamos fazer algo
acontecer. Isso é orgulho pecaminoso. "Mal havia ele acabado de oferecer o
holocausto, Samuel chegou, e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar" (1
Samuel 13:10). Tão logo ele tomou o problema em suas próprias mãos, a solução
chegou. A instrução divina estava bem ali na porta, apenas alguns minutos de
atraso! Saul, porém, não conseguiu esperar!
Implicações de não aguardar que
Deus opere
Acusamos Deus de engano. Agindo impacientemente, por sua
própria conta, Saul estava dizendo: "Deus enviou-me para realizar a sua
obra, mas deixou comigo calcular como consegui-lo. Ele me ordenou fazer isto,
mas agora me faz sentar e esperar. Se Deus não quer responder, não me pode
julgar por fazer o que tenho de fazer." Tomar o lugar de Deus é terrível
orgulho. É acusar Deus de negligência. Somos mandados, como Saul, a esperar no
Senhor, aquietar-nos e ver a sua salvação, confiar nele sempre de modo que ele
possa dirigir nossos caminhos. Mas quando passou o último prazo que
estabelecemos, e não podemos esperar mais por Deus, tratamos de escapar e fazer
com que as coisas aconteçam. Por nossas ações estamos dizendo: "Deus na
realidade não se importa comigo. Ele me rejeitou. Oração e espera não
funcionam. As coisas simplesmente pioram. Não posso ficar aqui sentado,
ignorado." Não confiamos na sua Palavra de modo real.
A ordem de Samuel era: "Descer a Gilgal e esperar...
Virei, e você receberá as instruções." Perante Deus, toda a
responsabilidade de Saul era esperar pela palavra! Deus queria ouvir Saul
dizer: "Deus cumpre sua palavra; nem uma vez sequer uma palavra saída dos
lábios de Samuel caiu em terra. Deus disse que eu devia esperar as instruções e
esperarei. Que todo o exército deserte. Que cada israelita seja covarde. Que
cada homem seja chamado de mentiroso. Se Deus quiser, ele me enviará um
exército de anjos. Esta guerra não é minha. Não tenho a mínima idéia de como ir
atrás deste grande inimigo. Tudo isso está nas mãos de Deus. Fui comissionado a
esperar pela palavra."
Mas o orgulho raciocina: "Não devia ser isso que Deus
tinha em mente. Talvez eu tenha ouvido errado. O problema está em eu ver e
ouvir." Em vez de firmarmo-nos na Palavra de Deus,
começamos a imaginar coisas. No leito, em horas tardias da noite, dizemos:
"Eis como vejo que isso pode ser feito." É um grave erro fazer algo
muito lógico e razoável quando não se trata da instrução clara do Senhor.
Talvez a única opção que temos é a conclusão de homens sábios e mentes lógicas.
Contudo é pecado se não for a palavra que vem de esperar apenas em Deus.
Precisamos sair de sob a pressão de executar, de fazer algo. Você não tem de
fazer nada senão firmar-se na Palavra de Deus. Se você quiser provar alguma
coisa a Deus, prove que você esperará pacientemente que ele atue. Você crê de
fato que Deus pretende fazer o que ele diz? É perigoso tomar a dianteira de
Deus! Isso é independência.
"Perguntou Samuel: Que fizeste? Respondeu Saul:
Quando vi que o povo se ia espalhando daqui, e tu não vinhas nos dias
aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, pensei: Agora
descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda não obtive a benevolência do
Senhor. Assim senti-me constrangido a oferecer o holocausto. Disse Samuel a
Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o Senhor teu Deus
te ordenou; pois o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para
sempre. Agora, porém, não subsistirá o teu reino; o Senhor já buscou para si um
homem segundo o seu coração, e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu
povo, porque não guardaste o que o Senhor te ordenou" (1 Samuel
13:11-14).
Saul esperou sete dias, mas essa espera não era santa. Ele
estava impaciente, irado, temeroso e amuado. Devemos esperar com fé, crendo que
Deus cuida de nós e nos ama, que ele estará presente no devido tempo. Esta
questão de esperar é tão importante que desejo mostrar-lhe alguns textos
bíblicos para prová-lo.
"Naquele dia se dirá: Certamente este é o nosso Deus, nele
confiaremos, e ele nos salvou. Este é o Senhor, nele confiamos, na sua salvação
exultemos e nos alegremos" (Isaías 25:9).
"Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se
percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para
aqueles que nele esperam" (Isaías 64:4).
Compare o orgulho impaciente de Saul com a espera de Davi em
Deus para obter direção. Quão belo! E quão claro!
"Os filisteus tornaram a subir, e se estenderam pelo
vale de Refaim. Davi consultou o Senhor, que respondeu: Não subirás, mas rodeia
por detrás deles, e virás a eles por defronte das amoreiras. Ouvindo tu um
estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então te apressarás, porque é o
Senhor que saiu diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus. Fez Davi como o
Senhor lhe tinha ordenado, e feriu os filisteus desde Geba até chegar a
Gezer" (2 Samuel 5:22-25).
O inimigo estendera-se diante dele, mas Davi devia ter a
ordem de Deus! Só então ele se apressaria.
Condição
de servo
O não possuir orgulho é confundido com a idéia de condição
de servo. Hoje toda gente quer ser tudo exceto servo. Um grande jogo das
crianças nos Estados Unidos chama-se "Senhores do Universo"! E isto
se está tornando a teologia de muitos cristãos. Citamos este texto bíblico:
"Assim que já não és escravo, mas filho; e se és filho, és também feito
herdeiro por Deus" (Gaiatas 4:7). O que Paulo está dizendo é que um filho,
que foi instruído corretamente, sabe que de acordo com a lei ele é filho do rei
com todos os direitos, mas ele ama o pai de tal modo que escolhe o papel de
servo.
Paulo, na mesma carta, disse que ele era "servo de
Jesus Cristo" (Romanos 1:1). Tiago chamava a si mesmo de "Servo de
Deus e do Senhor Jesus Cristo" (2 Pedro 1:1). E Cristo, o Senhor, o
próprio Filho de Deus, "a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo,
fazendo-se semelhante aos homens... humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até
à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2:7-8). Que haja em você esta mente
que houve também em Cristo Jesus. O servo não tem vontade própria; a palavra do
seu senhor é sua vontade.
A Cruz representa a morte de todos os meus planos, todas as
minhas idéias, meus desejos, minhas esperanças e sonhos. Ela é além de tudo a
morte absoluta de minha própria vontade. Isto é humildade verdadeira. A
humildade associa-se unicamente com a Cruz. "Humilhou-se a si mesmo — até
à morte de cruz". Ele havia dito aos seus discípulos: "A minha comida
é fazer a vontade daquele que me enviou" (João 4:34). Ele disse: "Eu
não posso fazer nada de mim mesmo; como ouço, assim julgo" (João 5:30). Em
outras palavras: Recuso-me a tomar a questão em minhas próprias mãos. Espero
para ouvir cada instrução de meu Pai! Ele que é a Luz, a inteligência absoluta,
conhecedor de todas as coisas, humilhou-se, tornou-se dependente do Pai em
todas as coisas. "Eu não posso fazer nada de mim mesmo", disse Jesus.
João escreveu: "Porque, qual ele é, somos nós também
neste mundo" (1 João 4:17). Não há cristão verdadeiro senão aquele que
pode dizer: "Em realidade desejo fazer a perfeita vontade de Deus."
Mas aqui é onde erramos: colocamos nosso coração em algo que desejamos, algo
que parece bom, que parece lógico, mas não é vontade de Deus. Jejuaremos,
oraremos, e intercederemos por isso! Derramamos um rio de lágrimas!
Reivindicamos esse algo. Amarramos demônios que nos impedem de possuí-lo.
Citamos a Bíblia. Conseguimos que outros concordem conosco! Uma das maiores
armadilhas para apanhar cristãos é uma boa idéia que não vem da mente de Deus,
uma boa estratégia que não é a de Deus, um plano bem concebido que não é o
dele.
A pergunta é: pode seu desejo sobreviver à Cruz? Pode você
desviar-se dela e morrer para ela? Pode honestamente dizer: "Senhor,
talvez não seja o diabo que me esteja detendo, mas tu! Se não for da tua
vontade, isso me destruirá. Desisto em favor da Cruz! Da morte! Faze do teu
modo, Senhor."
É quando você desce ao túmulo da morte para todo o eu, toda
a ambição, toda a vontade-própria, que você ouve a voz de Deus. Jesus disse:
"Vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de
Deus... todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão" (João
5:25, 28). É por isso que milhares de cristãos hoje têm dificuldade de ouvir as
pequenas vozes. Há confusão, as coisas não saem direito porque não tem havido
morte para a vontade própria. Sim, creio que Deus fala a seus filhos. Você pode
ouvir sua verdadeira, santa, inconfundível voz, mas só depois da crucificação
da vontade própria e do desejo próprio. Jesus ouvia de maneira clara a voz do
Pai. De igual modo Paulo, Pedro, João e Estêvão; mas só porque estavam mortos
para este mundo. Eles se consumiram fazendo apenas a vontade de Deus.
Que é a humildade?
Humildade é total dependência de Deus. É confiar que Deus
faz a coisa certa, na hora certa, do modo certo. É confiar que ele usará você
da maneira certa, na hora certa. Humildade é esperar com paciência no Senhor
num espírito de fé expectante. O orgulho não tem paciência. "Descansa no
Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu
caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira, e
abandona o furor; não te indignes para fazer o mal" (Salmo 37:7,8). Isto
diz-nos: "Não se indigne pelo aparente sucesso dos que parecem estar
rejeitando você. Eles caminham por atalhos. São abençoados e prosperam enquanto
você está aqui sentado, confiando em Deus, orando." Deus diz: "Espere
somente. Eles estão num terreno escorregadio. Não fique triste se você fizer a
coisa a meu modo. A paciência está realizando um trabalho em você. Você se está
tornando forte por esperar com fé. Deixe que a paciência realize sua obra
perfeita em você!"
A pessoa que tem experiência piedosa não é o cristão que
está sempre ocupado mexendo aqui e ali. Pelo contrário, é aquela que espera em
Deus com paciência e fé. Ela está ganhando experiência, conforme nos diz
Romanos 5:4. "Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os
profetas que falaram em nome do Senhor. Como sabeis, temos por bem-aventurados
os que perseveram. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe
deu. O Senhor é cheio de misericórdia e compaixão" (Tiago 5:10-11). Deus
equipara o "andar digno diante dele" à paciência jubilosa e à
longanimidade. "E oramos para que possais andar dignamente diante do
Senhor, agradando-lhe em tudo.. . corroborados com toda a fortaleza, segundo a
força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo"
(Colossenses 1:10,11).
Jesus deixou-nos uma gloriosa promessa para atravessarmos os
dias escuros que estão pela frente! Disse ele: "Visto que guardaste a
palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da tribulação que
há de vir sobre todo o mundo, para provar os que habitam sobre a terra"
(Apocalipse 3:10). Jesus está dizendo: "Você permaneceu fiel quando
provado pelo mundo. Alegremente esperou que eu realizasse as coisas. Agora,
enquanto há confusão por toda parte, enquanto as provações para todos
continuam, eu o guardarei delas. Você comprovou que confia em mim, venha o que
vier!"
Promessa de Jesus para os
últimos dias
O Senhor está neste preciso momento preparando um povo
humilde que tenha comprovado que Deus é fiel. Não apenas dizem: "Deus tem
tudo sob controle", mas permitem de fato que ele exerça controle sobre
suas vidas. "Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando
no Senhor" (Salmo 112:7).
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