Salmo 150
por
Charles H. Spurgeon
Temos
atingido agora o último cume desta cordilheira dos Salmos. Ele se eleva à
grande altura no claro azul do céu, e suas ladeiras estão banhadas pela luz do
sol do mundo eterno da adoração. É um êxtase. O poeta profeta está cheio de
inspiração e entusiasmo. Não discute, não argumenta, não ensina, não explica;
mas grita com palavras em chamas, “Louvai-O, Louvai-O, Louvai ao Senhor” —
C.H.S.
Todo
o Salmo: O Salmo anterior termina com um coro de adoração a Deus, no qual o
poeta chama a todo o povo, todos os instrumentos da música sagrada, todos os
elementos e todas as estrelas, para que se unam a si mesmo. Final sublime desta
obra de sessenta anos cantada pelo pastor, o herói, o rei e o ancião. Neste
último salmo vemos o mesmo entusiasmo quase inarticulado do poeta lírico; as
palavras se espremem em seus lábios com tal rapidez, flutuando para cima, para
Deus, sua fonte, como a fumaça do grande incêndio da alma avivada pela
tempestade! Aqui vemos a Davi, ou melhor, o próprio coração humano, com todas
as notas de aflição, gozo, lágrimas e adoração que Deus lhe deu — poesia santificada
em sua expressão mais elevada, um vaso de perfume derramado nos degraus do
templo e espalhando sua fragrância desde o coração de Davi até ao coração de
toda a humanidade — William Saw Plumer.
Todo
o Salmo: O primeiro Salmo e o último têm o mesmo número de versículos, e os
dois são curtos e memoráveis; porém, o objetivo dos mesmos é mui distinto; o
primeiro Salmo é uma instrução elaborada com respeito ao novo dever, a fim de
nos preparar para os confortos de nossa devoção; este é todo êxtase e arrebatamento,
e talvez foi escrito com o propósito de ser uma conclusão destes cânticos
sagrados, para mostrar qual é o desígnio de todos eles, a saber, o de nos
ajudar na adoração a Deus — Matthew Henry.
Verso
2. Louvai-o conforme a excelência da sua grandeza. Não há nada que seja pequeno
no que se refere a Deus, e não já nada grande aparte dEle. Se tivéssemos sempre
o cuidado de fazer nossa adoração apta e apropriada para nosso grande Senhor,
quando melhor cantaríamos! Com quanta mais reverência deveríamos adorar! Suas
proezas excelentes requerem uma adoração excelente — C.H.S.
Verso
4. Louvai-o com instrumentos de cordas e com flauta. Muitos homens, muitas
mentes, e estas tão diferentes como instrumentos de cordas e flautas; porém, só
há um Deus, e a este Deus todos nós devemos adorar. As flautas eram
instrumentos de sopro de vários tipos, e os piedosos pastores as usavam para
engrandecer ao Seu Deus — C.H.S.
Verso
3, 4, 5. Como disse Santo Agostinho sobre estes versículos: «Não se omite aqui
nenhuma classe de faculdade. Todas estão alistadas na adoração a Deus». O sopro
é empregado para soprar a trombeta; os dedos são usados nos instrumentos de
cordas como o saltério e a harpa; e a mão inteira é empregada para golpear o
adufe; os pés para se mover na dança; há instrumentos de corda; há o órgão (o
ugab, syrinx) composto de muitos tubos, impondo combinação, e os címbalos, que
ressoavam um sobre o outro — C. Wordsworth.
A
pluralidade e a variedade destes instrumentos eram apropriadas para representar
as diversas condições do homem espiritual, e a grandeza do gozo que se encontra
em Deus, e para ensinar que o estímulo há de fazer dos afetos e potências de
nossa alma, e de um para com o outro, para a adoração a Deus; que harmonia deve
haver entre os que adoram a Deus, que melodia deve entoar cada um ao cantar a
Deus com graça em seu coração, e para mostrar a excelência do louvor a Deus,
que nenhum instrumento, ou meio de expressão qualquer, pode proclamar de modo
suficiente — David Dickson.
Patrick
tem uma nota interessante sobre os muitos instrumentos de música do Salmo 149,
que podemos citar aqui: «Os antigos habitantes da Etruria usavam a trombeta; os
arcádios, a buzina; os sicilianos, o pandeiro; os da Grécia, a harpa; os
trácios, a corneta; os lacedemonios, a flauta; os egípcios, o tambor; os
árabes, o címbalo (Clem. Paedag. ii. 4.)». Não podemos dizer que nesta
enumeração de instrumentos musicais do Salmo há uma referência à variedade
entre os homens no modo de expressar o gozo e estimular o sentimento? — Andrew
A. Bonar.
Verso
3, 4, 5. Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. «Que tudo o que respira O
louve»; isto é, todo ser vivo. Ele lhes deu fôlego; que este fôlego se
transforme em louvor a Ele. Seu nome está composto no hebraico mais de fôlego
do que de letras, para mostrar que todo fôlego provém dEle; portanto, que se
use para Ele. Unamo-nos todas as criaturas viventes, no Salmo eterno. Pequenas
ou grandes, não retenhamos nosso louvor. Que dia será quando todas as coisas,
em todos os lugares, se unirem para glorificar ao único Deus vivo e verdadeiro!
Este será o triunfo final da igreja de Deus — C.H.S.
Não
há nada no Saltério mais majestoso ou mais formoso que este breve, porém
significativo, final, no qual predomina a solenidade no tom, sem perturbar em
nada o entusiasmo e alegria que a conclusão do Saltério tem por desígnio
produzir, como se fosse uma alusão simbólica ao triunfo que espera a igreja e a
todos seus membros quando, depois de muitas tribulações, entrarem em seu
descanso — Joseph Addison Alexander.
Aleluia!
Louvai ao Senhor. Uma vez mais, «Aleluia!». Assim termina o Salmo com uma nota
de louvor; e assim termina o Livro dos Salmos com umas palavras de adoração
extática. Leitor, não queres fazer uma pausa e adorar ao Senhor teu Deus?
Aleluia! — C.H.S.
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