quinta-feira, 18 de julho de 2013

Chamado à Aflição

Chamado à Aflição
por 
David Wilkerson 


            Estou convencido de que o único meio de experimentar a plenitude da alegria do Senhor Deus é participar de seu pesar. Deus sente pesar por causa do pecado, e os que andam com ele de modo verdadeiro, participam de seu pesar.
Nos dias de Noé, "viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe PESOU no coração" (Gênesis 6:5, 6).
         A palavra hebraica empregada aqui significa PENETRAR NO CORAÇÃO. Quer dizer MAGOA, DOR. A maldade da raça humana estava magoando em profundidade a Deus, causando-lhe grande dor no coração.
         Isaías disse de Cristo: "Era... homem de dores, e experimentado no sofrimento" (Isaías 53:3). "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si" (Isaías 53:4). O pecado da raça humana causou esse sofrimento. Ele participou da verdadeira mágoa e dor do Pai celestial.


Os servos de Deus do Antigo e do Novo Testamento participaram deste pesar por causa do pecado.
         Davi foi um homem de Deus que descobriu a glória da alegria no Senhor, porém ela mesclava-se à grande dor por causa das transgressões do povo. Ele disse: "Vejo os transgressores e me aflijo, pois não observam a tua palavra" (Salmo 119:158). "Não odeio eu, ó Senhor, e abomino aqueles que se levantam contra ti?" (Salmo 139:21). Davi sentia pesar pelas coisas que penalizavam a Deus e detestava o que Deus detestava.
         O profeta Amos clama contra os "que repousam em Sião... mas não vos afligis por causa da ruína de José". Ele participava do pesar de Deus por causa de um povo apóstata que andava a esmo em comodidade e prosperidade, tão pouco queriam pensar na hora iminente do juízo, enquanto se deitavam em camas de marfim (materialismo), cantarolando, bebendo vinho — e não sentiam pesar algum pela ruína que grassava perto deles. (Veja Amos 6:1-6).
         A palavra que Amos empregou é CAUSAR NÁUSEA. Na realidade ele está dizendo: "O pecado e a ruína entre o povo de Deus não causam náusea a vocês. Não se desgostam porque tornaram-se cegos pelo pecado e pela boa vida que agora desfrutam."
         Neemias ficara aflito porque entendia o mal que se havia infiltrado na casa de Deus. Um sacerdócio apóstata havia introduzido na casa do Senhor uma terrível tolerância, e apenas Neemias compreendia a profundeza da iniqüidade e as pavorosas conseqüências que isso traria sobre o povo. (Veja Ezequiel 13:1-9). O sumo sacerdote Eliasibe, cujo nome em hebraico sugere UNIDADE NA TRANSIGÊNCIA, havia estabelecido uma residência para Tobias, príncipe amonita. De acordo com a lei, nenhum amonita tinha permissão para entrar no templo. Mas Tobias, cujo nome significa prosperidade, prazer, vida folgada, teve permissão para habitar lá, um pagão entrincheirado na casa de Deus.
         Havia agora uma situação inédita na casa de Deus. Um ministério corrupto estava em aliança com o paganismo. O povo de Deus ansiava por prosperidade, pela boa vida; e Tobias estava pronto e disposto a ensinar-lhes o caminho materialista da idolatria. "Eliasibe, sacerdote, fora encarregado da câmara da casa do nosso Deus. Sendo parente próximo de Tobias" (Neemias 13:4).
         Neemias compreendeu o mal que estava em curso, patrocinado por um sacerdócio brando para com o pecado:

         "Mas quando tudo isto acontecia eu não estava em Jerusalém, pois no trigésimo segundo ano de Artaxerxes, rei de Babilônia, fui ter com o rei. Ao cabo de alguns dias pedi licença ao rei, e voltei para Jerusalém. Aqui soube do mal que Eliasibe cometera para beneficiar a Tobias, fazendo-lhe uma câmara nos átrios da casa de Deus, o que muito me desagradou. De sorte que lancei fora da câmara todos os móveis da casa de Tobias. Então ordenei que se purificassem as câmaras, e tornei a trazer para ali os utensílios da casa de Deus com as ofertas de cereais e o incenso" (Neemias 13:6-9).

         Neemias não estava atuando movido por impulso ou por tradição legalista! Ele estava vendo através dos olhos de Deus, sentindo como Deus sentia e estava compreendendo o mal da mistura, da transigência, do crescimento canceroso do pecado na casa de Deus.
         Se mais ministros compreendessem como é má a mistura da música, o abuso do entretenimento, a cobiça do materialismo que agora invade a igreja — à semelhança de Neemias eles sentiriam pesar por isso e extirpariam o câncer do pecado uma vez mais.
         Ó Deus, dá-nos um corpo de pregadores e de paroquianos que sintam náusea pelo pecado e pela mistura, que tomem posição contra isso! Deus, dá-nos crentes com discernimento suficiente para entender a profundidade e o horror das contemporizações e da pecaminosidade que se insinua na casa de Deus!
         Paulo afligia-se pela apostasia do povo de Deus. Advertiu: "Pois muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora novamente digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas" (Filipenses 3:18-19). O significado do grego aqui é soluçar alto ou um soluço penetrante oriundo de um coração partido. Ver os cristãos voltar-se para as coisas terrenas, rejeitando a vergonha da cruz, partia o coração de Paulo ao ponto de literalmente ficar abalado com o pesar de Deus. Isto não era desespero silente nem suspiro resignado, por causa do abandono, mas o clamor em alta voz, penetrante, do coração partido de um homem que participa do pesar de Deus por seus filhos obstinados.


O ministério da dor
         Samuel era um jovem que foi chamado para "o ministério da dor". Não sua própria dor, não a dor da humanidade — mas a profunda e inimaginável dor de Deus! Deus estava muito pesaroso pela situação apóstata de seu próprio povo, e não havia ninguém para compartilhá-la. Deus estava prestes a retirar sua glória de Silo, e o sacerdócio que estava perante seu altar não o sabia. Quão triste é ser tão surdo, mudo e cego exatamente na hora do juízo.
         Israel era um povo corrupto; o sacerdócio era adúltero, e o ministério estabelecido era cego em muitos sentidos. Eli representa o sistema religioso decadente preocupado com seus próprios interesses, havendo-se tornado permissivo pela vida cômoda, tendo apenas um ódio fingido pelo pecado. Eli se tornara lento e preguiçoso com respeito aos interesses profundos de Deus.
         Seus filhos Hofni e Finéias representam o ministério continuado pela tradição. Esses dois jovens sacerdotes nunca tiveram um encontro com Deus. Nada sabiam sobre "ouvir o céu", nem sabiam da fome por Deus, ou de uma paixão ardente por experimentar a glória e a presença de Deus — nada da dor de Deus. Pessoas assim não jejuam nem oram. Procuram os melhores postos ministeriais, com os mais elevados benefícios e as melhores oportunidades de promoção. Seus corações nunca foram quebrados por causa da humanidade perdida; pouco sabem do sofrimento. São produto do ritualismo frio, morto. Não estão inebriados por Deus! Dizem coisas certas, coisas novas, parecem profissionais e como tais atuam. Mas não há unção, não há unção santa; eles não conhecem o temor e a reverência a um Deus santo.
         Deste modo, à semelhança dos filhos de Eli, tornam-se sensuais, mundanos e servem a si mesmos. Os filhos de Eli tornaram-se tão corruptos que Deus os chamou de "filhos de Belial" (filhos de Satanás). Diz-se deles também que "não se importavam com o Senhor". Eles "se engordavam do principal de todas as ofertas do meu povo de Israel" (1 Samuel 2:29). É por isto que multidões de jovens evangélicos estão crescendo tão frios e sensuais, tornando-se viciados em "rock and roll", bebedores de cerveja, praticantes de sexo ilícito, enfarados e inquietos. Alguns líderes da mocidade os estão arruinando pelo fraco exemplo que dão e pela falta de discernimento do Espírito Santo. Se a própria liderança não conhece o Senhor, como podem alcançar os filhos para Deus? Enfrentamos hoje em dia a tragédia de uma geração inteira que se extravia, porque tem tão poucos pastores para mostrar-lhe como escapar das artimanhas satânicas deste século. Existem suprimentos demais para os desejos sensuais da juventude.
         Eli havia perdido todo o seu discernimento espiritual! Ana, mulher piedosa, chorava amargamente na casa de Deus em Silo. Ela rogava ao Senhor que lhe desse um filho e intercedia de maneira profunda. Ela é o tipo do remanescente santo que intercede, que anseia e clama a Deus por uma palavra da parte dele. "Ana só falava no coração, e os seus lábios se moviam, mas não se ouvia a sua voz. Eli a teve por embriagada" (1 Samuel 1:13).
         Até que ponto um ministro de Deus pode ser cego? Ela estava no Espírito, conversando com Deus, sob unção divina e em breve iria tornar-se um canal de renovação em Israel — e o homem de Deus não conseguia discernir a verdade. Perdera totalmente a noção do que acontecia no altar. O que será que ocorrera a este sacerdote do Altíssimo Deus, que em vez de estar em pé no limiar de uma profunda ação nova de Deus que afetaria o futuro de Israel — estava tão longe dele que confundiu uma ação espiritual com a carne?
         Como é que Deus alcançaria este apóstata e corrupto povo de Israel? Deus estava pesaroso; desejando mudar a situação; prestes a agir em ira e vomitar tudo de sua boca! Mas Eli não o sabe! Ele tornou-se tão indulgente, tão acomodado, tão impregnado da fria tradição — que não tem a mais leve idéia do que está dizendo ou do que está prestes a acontecer. Seus filhos vão ser expulsos — literalmente separados das coisas de Deus. Mas eles estão de tal modo consumidos pela concupiscência, tão apegados ao melhor das ofertas, tão endurecidos pelo pecado — que se tornaram agentes de Satanás, cegos ao juízo iminente. DEUS PRECISOU SAIR DA ESTRUTURA RELIGIOSA ESTABELECIDA, PARA ENCONTRAR ALGUÉM BASTANTE ABERTO QUE PARTICIPASSE DE SUA DOR!


O Time de Samuel
         O Senhor sempre produz pessoas como Samuel para ouvirem sua voz num tempo de decadência espiritual. Este time compõe-se de homens e mulheres que não ligam para a tradição, para a promoção, para as fronteiras denominacionais. Eles representam pastores e leigos que têm ouvidos para ouvir. Estão ligados apenas com Deus.
         Deus enviou um profeta anônimo a Eli com uma advertência. Era uma seta atirada de modo certeiro no coração de um sistema religioso que se havia tornado autoprotetor. Eli havia protegido seus filhos obstinados. Deus lhe disse em profecia: "Porque honra a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes do principal de todas as ofertas do meu povo de Israel" (1 Samuel 2:29).
         Quando Eli ouviu contar como seus filhos despudoradamente procediam, bem à porta da congregação, tudo o que ele disse foi: "Não, filhos meus, não é boa fama a que ouço entre o povo do Senhor" (1 Samuel 2:24). Mais tarde Deus disse a Samuel que julgaria a casa de Eli porque este sabia da iniqüidade dos filhos e nada fez a respeito. "Pois já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia; seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu" (1 Samuel 3:13).
         Há um dia de juízo indicado aqui para os ministros do evangelho que conhecem o pecado na congregação ou na sua família — e se recusam a acabar com ele. Talvez até reprovem os adúlteros, os beberrões, os fornicadores — mas não transmitem nenhuma mensagem de reprovação! Eles têm medo de disciplinar seus filhos espirituais. No dia de juízo nosso Senhor lhes perguntará: "Por que não mostraram ao povo a diferença entre o santo e o profano?"
         Por que era Eli tão brando contra o pecado dos filhos? Porque eles estavam furtando o filé mignon antes que fosse cozido, e traziam para casa esta carne fresquinha, vermelha, e Eli se havia acostumado a isso. Ele sofreria se fosse tão duro com eles — teria de voltar a comer carne ensopada, fervida. Aprendera a fechar os olhos para todo o mal que praticavam na casa de Deus — e em sua própria família.
         Creio ser este o motivo pelo qual alguns pastores são tão brandos contra o pecado. Eles foram acalmados pela boa vida! Gostam do conforto e do prestígio dos grandes números, dos edifícios maiores! Quão sutil é — embora sabendo que algo deve ser dito, o ministro simplesmente profere um flácido "Vocês não devem fazer essas coisas más!" Não há trovão santo. Não há aflição por causa do pecado e da contemporização. Nenhuma visão de Paulo do excessivo corrompimento do pecado. Não há advertências da retribuição divina e do juízo. O povo ficaria escandalizado
 — deixaria de vir — deixaria de dar as gordas ofertas. O crescimento poderia ser detido.
         Tenho pregado em algumas dessas igrejas, e a experiência tem sido desalentadora. O pastor, como Eli, em geral ama a ARCA DE DEUS — ele não é um homem mau. Mas é medroso. Tem medo da ação do Espírito Santo, tem medo de ofender as pessoas, passando uma idéia simulada de santidade — mas temeroso de lidar duramente com o pecado. O índice de divórcios é excessivo; há casos amorosos secretos! Jovens dominados por vícios; diáconos fumantes e bebedores; e muita atividade social não espiritual.
         Ponho-me em pé no púlpito desse irmão mostrando que o Senhor exige santidade, chamando ao arrependimento, advertindo do juízo contra o pecado — e os contemporizadores vêm correndo para a frente, chorando, confessando, buscando livramento. Olho para o lado e vejo um pastor preocupado porque o culto pode fugir ao controle ou pode haver algum tipo de manifestação de choro descontrolado, ou pessoas caindo ao chão, convictas e angustiadas pelo pecado. Ele está mortalmente amedrontado de que "seu povo" não entenda. Ele mal consegue esperar para assumir o comando da reunião a fim de acalmar o ambiente. Começa a sussurrar suaves afirmações de que Deus os ama a todos — e lembra a todos do adiantado da hora, despedindo-os logo. Joga um balde de água fria sobre a convicção do pecado, e os membros que se sentem sobrecarregados vão para casa perturbados pelo que parece ser a despreocupação de seu pastor.
         Tenho saído desse tipo de reunião com o coração partido. Pergunto-me: "Onde está a aflição pelo pecado? A liderança não consegue ver as ovelhas que choram, clamando e permitindo que a convicção do Espírito Santo faça nelas sua obra de purificação?"
         Onde estão os Samuéis que ouviram a voz de Deus, que foram despertados pelo Espírito Santo, que receberam uma revelação dos juízos iminentes que vêm sobre uma casa de Deus apóstata? Por que não estão todos os pregadores do evangelho afligindo-se por causa da condição pecaminosa da igreja? Por que não estão todos os pastores e evangelistas clamando como vigias sobre o muro? De Samuel sabemos: "Então Samuel lhe contou tudo, e nada lhe encobriu" (1 Samuel 3:18). Eu lhe pergunto, pastor, VOCÊ ESTÁ CONTANDO TUDO? ESTÁ RETENDO, ESCONDENDO A VERDADE, COM MEDO DE OFENDER?


Onde, em nossos púlpitos, há lugar para a tristeza de Deus?
         A mensagem do Time de Samuel não é agradável! "Ele temia relatar a visão a Eli" (1 Samuel 3:15). Samuel ouviu Deus pronunciar o fim de uma estrutura religiosa apóstata. A visão era esmagadora! Deus já não iria tolerar uma forma de piedade sem o poder da santidade. O juízo estava prestes a cair. O adultério seria desmascarado. A liderança tolerante já não gozaria as bênçãos da presença de Deus.
         Deus iria retirar sua presença de Silo e faria uma coisa nova gloriosa em Israel. Disse: "Eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo o que está no meu coração e na minha mente. Eu lhe edificarei uma casa duradoura, e ele andará sempre diante do meu ungido" (1 Samuel 2:35). Isto fala do Time de Samuel formado por crentes e ministros que compartilham o próprio coração de Deus. Eles conhecem a mente do Senhor; conhecem sua vontade, e andam em temor e santidade diante dele. O Time de Samuel é um povo que ora; e como estão em contato com Deus, passam a conhecer e compartilhar o pesar de Deus! Foi enquanto Samuel orava que Deus lhe revelou coisas horrendas que viriam ao povo do Senhor. "E disse o Senhor a Samuel: Vê, vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos" (1 Samuel 3:11).
         Posso dizer-lhe a quem Deus está falando nestes dias! Ele está falando aos que buscam estar a sós com ele — que suspiram por ele como a corça suspira por águas — que morreram para toda ambição egoísta — que não têm outro alvo na vida senão trazer glória, prazer e alegria ao coração divino!
         Digo-o corajosamente - NÃO SERÁ UMA DENOMINAÇÃO QUE LIBERARÁ A PALAVRA DO SENHOR A ESTA GERAÇÃO MALDITA! Não será uma comissão privilegiada que ouvirá a verdadeira Palavra e acenderá a chama da reunião do último dia do remanescente. Enquanto os anjos do apocalipse saem para ferir a terra, as denominações e os dirigentes religiosos estão trabalhando com afinco para proteger seus interesses e fortalecer sua autoridade, redigindo leis secundárias e resoluções.
         Até o final de seu ministério, Samuel sofreu o pesar de Deus por causa do seu povo. Israel desejava com ansiedade um rei, de sorte que eles pudessem ser governados por ele, "como o têm todas as nações" (1 Samuel 8:5). Samuel ajoelhou-se sentindo profundo desgosto. E de novo Deus partilhou seu pesar com ele: "Ouve a voz do povo em tudo o que te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles" (1 Samuel 8:7).


O pesar de Deus gera protesto contra o pecado!
         O pesar de Deus sobre o Time de Samuel deve gerar um protesto contra todo pecado e apostasia! "Agora, ouve a sua voz, porém protesta-lhes solenemente, e declara-lhes qual será o direito do rei que houver de reinar sobre eles" (1 Samuel 8:9).
         Por toda parte para onde você se volta agora, o povo de Deus, em números crescentes, está rejeitando o senhorio de Cristo! Há um clamor para "ser como as demais nações". É querer misturar-se! É ser igual ao mundo, dizendo: "Queremos Deus e o mundo!"
         Graças a Deus pelo Time de Samuel que protesta! Eles ouviram a voz de Deus e sabem onde vai terminar toda esta contemporização. Vêem os resultados pavorosos da apostasia que está pela frente e, como Paulo, soluçam aquele grito de angústia penetrante, de dilacerar o coração.


Um chamado para a aflição que resulta em alegria eterna em Deus!
         Os que soluçam por causa do pecado na igreja são chamados de anunciadores da destruição e portadores de tristeza. "Não gosto de tê-los ao redor. Eles parecem tão negativos, tão taciturnos e tristes." Pensam assim apenas porque não os conhecem! Não sabem que os que participam da dor de Deus são também conduzidos à maior medida de alegria.
         Os que verdadeiramente sofrem com Deus recebem um coração saltitante de alegria no Senhor! "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento, ainda que as ovelhas sejam exterminadas, e nos currais não haja gado, TODAVIA EU ME ALEGRAREI NO SENHOR, EXULTAREI NO DEUS DA MINHA SALVAÇÃO. O Senhor é a minha força" (Habacuque 3:17-19).
         Esta alegria vem de saber que Deus sempre terá um ministério puro, um corpo santo e separado — mesmo nos dias mais adversos. Sabem que Deus os honrará com sua presença constante embora todos os demais se desviem deles temendo. Estão cheios de alegria porque recebem força ao crer na majestade e no poder de Deus, cujos juízos são sempre justos. Como Habacuque podem dizer: "Ainda que tudo mais venha a falhar, meu coração se regozijará em Deus somente!" Mesmo quando Deus parece haver fracassado em toda a parte, ou quando vemos pouca demonstração de resultados, a aflição dá lugar à alegria enlevada, por causa da proximidade do coração do Senhor. Com Paulo, o remanescente sofredor pode dizer: "Como morrendo, porém vivemos; como castigados, porém não mortos; COMO ENTRISTECIDOS, PORÉM SEMPRE ALEGRES" (2 Coríntios 6:9,10).
         Como prova bíblica conclusiva de que compartilhar a dor de Deus resulta em regozijo, lembro-lhe as palavras de Davi: "Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará com cânticos de alegria, trazendo consigo os seus molhos" (Salmo 126:6).

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