A TRIBULAÇÃO
O Senhor Jesus
predisse seu padecimento, morte e ressurreição (Mateus 16: 21; Marcos 8: 31;
Lucas 9: 22), os sofrimentos e perseguições que seus discípulos enfrentariam
(Mateus 10: 16-29), as grandes aflições que se abateriam sobre Jerusalém
(Mateus 23: 37 – 24: 2) e, por fim, as agonias do fim dos tempos, como preparação
de seu regresso à terra (Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21). Logo após o
arrebatamento da Igreja se iniciará um período de grande sofrimento sobre a
humanidade que tanto os escritores do Antigo quanto do Novo Testamento
denominam de “tribulação”, que nada mais é do que a última semana da profecia
de Daniel. Devido a sua intensidade e agonia, essa época será infeliz e
indesejável, mas foi previsto nas Escrituras que ela vai acontecer e está
descrito como ela será.
A)
No Antigo Testamento
Uma das primeiras citações sobre este tempo
de aflição foi descrito por Moisés, antes da nação de Israel entrar na terra
prometida. O futuro dos hebreus foi descrito como tempo de “angustia” ou
“tribulação” nos últimos dias, como se pode verificar:
“O Senhor vos espalhará entre os povos, e restareis poucos em números
entre as gentes aonde o SENHOR vos conduzirá. Lá, servireis a deuses que são
obras de mãos de homens, madeira e pedra, que não veem, nem ouvem, nem comem,
nem cheiram. De lá, buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o
buscares de todo teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em
angustia, e todas estas coisas te sobrevierem nos últimos dias, e te voltares
para o SENHOR, teu Deus, e lhe atenderes a voz, então, o Senhor, teu Deus, não
te desamparará, porquanto é Deus misericordioso, nem te destruirá, nem se
esquecerá da aliança que jurou a teus pais” (Deuteronômio 4: 27-31).
O profeta Isaias
chama este dia (período) de “indignação” e descreve a ira de Deus: “Porque a indignação do SENHOR está contra todas as nações, e o seu
furor sobre todo o exercito delas; ele as destinou para a destruição e as entregou à matança. Os seus mortos serão
lançados fora, dos seus cadáveres subirá o mau cheiro, e do sangue deles os
montes se inundarão... Porque será o dia da vingança do SENHOR, ano de
retribuições, pela causa de Sião” (Isaias 34: 2-3,8).
Outro profeta também
recebeu revelação sobre este evento futuro chamando-o de “tempo de angustia para Jacó”, (Jeremias 30: 5-9). E Daniel recebeu
com precisão o tempo que duraria a tribulação, (Daniel 9: 24-27).
A profecia de Daniel
merece maior atenção devido ao tempo preciso que ela fornece, por isso
trataremos dela em um tópico a parte. Daniel, como seu contemporâneo, também
descreve esse tempo como um “tempo de
angustia”, (Daniel 12: 1).
O livro inteiro de
Joel retrata o “dia do Senhor”, que é um sinônimo de “tribulação”. (Joel 1: 15;
2: 1-2).
Amós não pertencia a
nenhuma família sacerdotal, nem de profetas, era negociante, ocupava-se com a
criação do gado e plantação de frutas (figos) de Tecoa (1: 1; 7: 14). foi
chamado para anunciar o juízo de Deus sobre Israel, entretanto também
profetizou sobre a tribulação. (Amós 5: 18-20).
Sofonias é o profeta
do Juízo Final, devido à grande ênfase que ele da ao Dia do Senhor, somente no
capitulo primeiro ele menciona 13 vezes, (Sofonias 1: 15, 18).
B)
No Novo Testamento
Com a vinda de Jesus,
o conceito de tribulação se expande de maneira extraordinária. No Novo
Testamento, Jesus faz um discurso expositivo sobre estes dias, completando o
que os profetas já haviam falado, (Mateus 24: 4-28; Lucas 21: 25, 26).
O apóstolo Paulo
também fez referências à tribulação. Em suas cartas aos tessalonicenses
refere-se a este período, (1 Tessalonicense 5: 1 - 3). Alguns achavam que a tribulação
já havia começado, (2 Tessalonicenses 2: 1-2); daí Paulo passa a descrever
alguns eventos que precederão a tribulação, (2 Tessalonicenses 2: 3 -12).
De todos os escritos relativos
à tribulação, é no Apocalipse de João que temos a narração minuciosa dos dias
da tribulação. Este livro é rico em símbolos e conteúdos, portanto merece
especial atenção dos que amam a Palavra de Deus.
C)
Duração da Tribulação
De acordo com a profecia de Daniel, a
tribulação durará sete anos, conforme o texto, (Daniel 9: 27).
D)
Eventos da Tribulação
Como acabamos de averiguar, no trecho lido, a
tribulação será dividida em duas etapas de três anos e meio. Cada etapa e
marcada por eventos específicos, que ocorrem de forma sequencial, conforme
relata o apostolo João no livro de Apocalipse.
VII) AS
SETENTA SEMANAS DE DANIEL E A TRIBULAÇÃO
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e
sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos
pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a
visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a
saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao
Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações
se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas,
será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe, que há de vir
destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim
haverá guerra; desolações são determinadas. Ele fará uma firme aliança com
muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a
oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição,
que está determinada, se derrame sobre ele.” (Daniel 9: 24-27).
A profecia das
setenta semanas foi entregue a Daniel, quando o povo de Israel se encontrava cativo na Babilônia. Os
exércitos de Nabucodonosor haviam destruído totalmente a cidade de Jerusalém (2
Crônicas 36: 17-21). Jeremias havia profetizado sobre a destruição iminente que
cairia sobre a cidade santa. Foi-lhe revelado que estas desolações durariam
setenta anos (Jeremias 25: 11). Daniel, lendo o livro deste profeta, entendeu
que o tempo de se cumprir as Escrituras estava no fim e buscou a Deus, que lhe
revelou esta profecia dos fins dos tempos.
De acordo com texto
acima, Daniel fala em três períodos de sete, sendo um período de sete
semanas, outro de sessenta e duas semanas e mais um de uma semana.
A)
O Capítulo 9 de Daniel
Contém uma das mais importantes
profecias que devemos estudar para entendermos a Escatologia.
1) As Setenta Semanas estão determinadas para
Israel (Daniel 9: 24).
2) Este período de tempo irá se cumprir sobre o
povo judeu (o teu povo) e sobre a
cidade de Jerusalém (a tua cidade santa).
3) Não se deve confundir Israel com a Igreja.
4) De acordo com a profecia os judeus
necessitam estar em Jerusalém. Esta é a condição para a profecia se cumprir.
5) No Velho Testamento era comum o uso de
semana de anos (Levítico 25: 8).
6) Setenta semanas de dias comuns são iguais a
490 dias e de acordo com Daniel 9: 25 são 70 semanas de anos.
7) Este período vai desde a ordem para
restaurar e edificar Israel (Neemias 2: 1–8) até o início do reinado do Messias
(Apocalipse 20: 11 – 15)..
B)
Divisão das Semanas
de Anos
1)
A
ordem foi dada pelo rei persa Artaxerxes em 445 a . C e a cidade foi
totalmente reconstruída, ou seja, levou sete semanas de anos (49 anos) para ser
totalmente edificada.
2) Sessenta e duas semanas de anos (434 anos)
até quando Jesus se apresenta como Rei em Jerusalém (Mateus 21: 1 – 11), quando
terminam as 69 semanas (483 anos) Daniel 9: 26.
Há
um intervalo ente a 69ª. e a 70ª. Semana, que corresponde ao período da Igreja,
o qual não se sabe de quanto tempo
será.
Daniel
9: 26 "Depois
de sessenta e duas semanas ..."
Depois de sessenta e duas semanas, com as
sete semanas anteriores, completaram-se sessenta e nove semanas. Portanto,
depois que as sessenta e nove semanas estavam cumpridas, logo depois, o que
iria acontecer?
"...
será morto o ungido, e já não estará..."
Notar que aqui já fala de algo acontecendo
fora do período das 70 semanas. Abriu-se um intervalo entre a 69ª semana e o
cumprimento da última semana. Aqui diz que as sessenta e nove semanas se
cumpriram e depois, duas coisas iriam acontecer:
a) “será morto o ungido, e já não estará.” Aqui fala da morte
de Jesus.
b) "e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário,
e o seu fim será um dilúvio, e até o fim haverá guerra; desolações.” Quem
destruiu Jerusalém foram os romanos, no ano 70 da nossa era.
3) Sete anos (3,5 + 3,5) Daniel 9: 27
Falta
uma semana de anos (sete anos) para se cumprir a profecia. Este período será o
período em que Deus voltará a tratar com seu povo – Israel, que corresponde ao
período da Tribulação. Ver Quadro abaixo.
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