segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Prestando Reconhecimento aos que Vieram Antes de Nós


Prestando Reconhecimento aos que Vieram Antes de Nós

Durante um banquete, promovido para se premiarem algumas pessoas, o primeiro homenageado levou vários minutos agradecendo às pessoas que o haviam ajudado a conquistar aquele prêmio — professores, sua família, amigos e quatorze colegas que faziam parte de um grupo de artistas a que ele também pertencia.
Quando o segundo vencedor chegou ao pódio para receber seu troféu, seu discurso foi bem resumido:
“Agradeço a vocês pela decisão acertada que tiveram em me premiar.
Quero dizer também que o que fiz, fiz sozinho”.
Claro que ele estava brincando, mas suas palavras nos fazem lembrar muita gente que ocupa posição de liderança atualmente. Se elas conseguem bons resultados e alcançam sucesso, atribuem a si todo o mérito. Mesmo que não o expressem verbalmente, o que pensam é: consegui isso sozinho.
Mas estão enganadas. Nenhum de nós consegue coisa alguma sozinho.
Estamos sempre sendo influenciados e ajudados por outros.

Gigantes do Passado

Sir Isaac Newton disse: “Se vi mais longe do que os outros homens, foi porque estava de pé sobre ombros de gigantes”.

Meus Reconhecimentos
Eu mesmo, por exemplo, conquistei um diploma de doutorado, mas para chegar até esse ponto fui ajudado por muita gente. Primeiro devo minha fé cristã à educação devotada a Deus que minha mãe me transmitiu: minha mãe que orava comigo e por mim, sincera e fervorosamente Aos vinte e um anos emigrei do Egito para Sidney, na Austrália. Não conhecia ninguém lá, a não ser um casal, que, assim mesmo, só conhecia de nome. Mas eu tinha também uma carta de apresentação para o cônego anglicano D.W.B. Robson, que se tornou, depois, arcebispo de Sidney. Foi com seu incentivo e apoio que consegui superar os problemas de não poder comunicar-me bem em inglês. Na verdade, sem seu estímulo, eu não teria conseguido estudar na Escola Teológica Moore.
Houve, também, meu encontro com John Haggai, uma pessoa que acreditou em mim. Convidou-me para dirigir o Instituto Haggai, um ministério de âmbito mundial, com escritórios em seis continentes. Com essa sua iniciativa, Dr. Haggai ajudou-me a atingir, num período de apenas oito anos, o equivalente a cinqüenta anos de maturidade. Com a ajuda de Deus, consegui liderar essa organização.
  Durante todo esse tempo tive uma companheira fiel e dedicada, minha esposa Elizabeth, que me deu amor, apoio e estímulo. Além de ser mãe, fazia também às vezes de pai para nossos quatro filhos, enquanto eu fazia viagens ao estrangeiro, ou ficava até tarde da noite estudando.
Porque estava de pé nos ombros desses “gigantes”, senti que não havia nada que eu não conseguisse fazer. Devo muitíssimo a essas quatro pessoas, e a muitas mais. Jamais poderei esquecer ou negar o impacto que causaram em minha vida e em meu ministério.

Os Precursores Bíblicos

Jesus disse a seus discípulos que os campos estavam prontos para a colheita, usando, obviamente, essa ilustração como símbolo da consagração espiritual. E acrescentou: “O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para vida eterna; e, dessarte se alegram, tanto o semeador como o ceifeiro.
um é o semeador e outro é o que rega. Nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um, e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores, lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.” (1 Co 3.5-9.)
Jesus só deu início a seu próprio ministério depois de João Batista ter-lhe preparado o caminho. Pedro deve seu encontro com Jesus a seu irmão André, que o convidou para também seguir ao Senhor. E o livro de Atos mostra que o martírio de Estevão exerceu uma forte influência sobre Paulo, ajudando a abrir o caminho para sua conversão.

Interdependência

Por que Jesus, após ter treinado seus seguidores, enviou-os de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade ou lugar por onde iria passar? (Lc 10.1.) Ter outra pessoa junto certamente encorajaria o viajante em lugares desconhecidos. Mas eu acho que Jesus tinha uma razão adicional para assim proceder.
Quem sabe se Pedro, voltando de uma cidade que visitara sozinho, não poderia dizer: “Olha o que eu fiz!” Será que Jesus não desejava que, desde o princípio, seus seguidores se apercebessem de sua dependência de uns para com os outros — e de sua dependência do Senhor? Pode ser, até, que ele os estivesse preparando para o que é ser “um só corpo em Cristo”. Mais tarde, em suas epístolas, Paulo conclamou, vezes sem conta, a igreja a voltar a essa verdade (Rm 12.3-8; I Co 12.12).
O próprio Jesus poderia ter chamado a si o crédito de tudo que existe, desde a criação até a eternidade. Mas ele respeitou a posição dos fiéis, apontando Abraão, por exemplo, como o pai da nação de Israel (Jo 8.37).
É bem provável que, se algum de nós tivesse vindo como Salvador do mundo, iríamos desacreditar os que nos haviam precedido. Possivelmente diria algo mais ou menos assim: “Moisés era um bom homem, é verdade, mas ele irou-se e desobedeceu. Deus teve que puni-lo. O bom camarada Abraão fez um bocado de coisas ótimas, mas ele tinha seus momentos de fraqueza. Imagina que uma vez ele ficou com tanto medo do faraó que chegou a dizer que Sara era sua irmã! É, mas eu não sou assim, não”.

Como Prestar Reconhecimento a Outros

Se, como líderes, desejamos seguir a Jesus Cristo, devemos, como ele, reconhecer a valor dos outros. Lembremos alguns fatos que podem ajudar-nos a fazê-lo.

1. Todo talento e capacidade são dom de Deus.
 João Batista se expressou muito bem sobre isso: “o homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada”. (Jo 3.27.) Ele sabia que ter vindo como precursor de Jesus não tinha sido iniciativa sua; Deus o tinha dotado para essa missão. Conscientizar-nos de que só temos capacidade de liderança porque Deus no-la deu, torna-nos mais humildes.
Quando o apóstolo Paulo escreveu sobre os dons espirituais (1Co 12), ele usou o mesmo princípio. Não importava quantos dons e talentos os coríntios tivessem, todos eles provinham de Deus. Eles não inventaram dons e nem podiam dotar-se a Si mesmos de dom algum.

2. Não fizemos nada para adquirir nossa capacidade de Liderança.
Ninguém conquista um presente. Quando alguém recebe o dom de liderar, é uma questão de graça e não de mérito.

3. Este presente que nos é dado não deve ser motivo para vanglória.
A uns Deus dá a capacidade para liderar, a outros, a capacidade de reconhecer e seguir os bons líderes. Algumas pessoas têm habilidade com as mãos, outras têm uma facilidade toda especial para falar; outras, ainda, podem pensar mais profundamente que as demais. Mas nenhuma dessas pessoas têm razão para vangloriar-se de ter recebido um dom.

4. Devemos reconhecer e agradecer aqueles que nos ajudaram a desenvolver nossas capacidades.
Os atletas olímpicos têm um talento latente, mas isso não basta. Eles precisam de ajuda, treinamento, correção. Um halterofilista precisa de um instrutor que o ensine a respirar corretamente; um corredor precisa que lhe digam se está correndo com os pés corretamente posicionados, para que não perca segundos preciosos durante a competição.
Com Os líderes acontece a mesma coisa. Sei que eu precisava de ajuda para caminhar. Alguém percebeu em mim traço de liderança e me incentivou; outros me ensinaram lições adicionais.

5. Devemos agradecer a Deus por nossas aptidões.
Já que sei que minha capacidade de liderança não foi criada por mim mesmo, devo regularmente parar e agradecer a Deus por ter-me feito como sou.
Um dos meus amigos, escritor, fez da oração de agradecimento por seus dons uma parte constante de seu devocional diário. Ele ora mais ou menos assim: “Obrigado, Senhor, por ter-me feito um escritor. Ajuda-me a ser o melhor escritor que eu possa ser com o talento que me deste”.
Esse meu amigo sabe que precisa trabalhar para aperfeiçoar seu talento. Quando era pequeno, lia tudo que lhe caía nas mãos. Aos poucos foi aprendendo a distinguir entre a boa e a má literatura, entre a superior e a medíocre. Quando finalmente começou a escrever, tirou proveito das lições que havia aprendido estudando minuciosamente, através dos anos, os escritores clássicos.
Com essa atitude ele agradece tanto a Deus - que lhe deu a aptidão inicial - quanto aos gigantes em cujos ombros se ergue de pé.

Tirado do livro: O estilo de liderança de Jesus 
AUTOR:  MICHAEL YOUSSEF

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