segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Coragem


A Coragem

Maomé tem atualmente milhões de seguidores pelo mundo a fora, e o islamismo é uma das religiões que crescem mais rapidamente.
Logo que começou, entretanto, o número de convertidos era muito pequeno. Quase ninguém entendia o que Maomé estava dizendo. Nos seus escritos ele abriu o coração sobre a bênção que era encontrar alguém que cresse nele. E prometeu para os primeiros adeptos uma infinidade de bênçãos.
Tem surgido um sem número de líderes, religiosos ou seculares, sempre prontos a subornar seus primeiros seguidores. Estou usando a palavra “subornar” aqui no sentido de que eles pagam pela adesão com promessas de bênçãos ou favores, ou tentando convencê-los de que são pessoas especiais. Essa é a maneira mais freqüente para se iniciar qualquer tipo de movimento, negócios ou outras atividades que demandem crescimento numérico. Esses líderes, depois de se empenharem com afinco para conseguirem os primeiros adeptos, estimulam-nos, despertam neles um grande entusiasmo, de modo a fazer com que o movimento se auto-propague.
Mas Jesus não fez grandes promessas quando começou seu ministério.
Segundo a Bíblia, quando chamava seus seguidores, limitava-se a dizer-lhes: “Segue-me” (Jo 1.43).
Mais surpreendente ainda é o fato de que ele não usava qualquer tipo de influência para promover sua causa. João conta a história de Nicodemos chegando à noite para visitar Jesus. Ele descreve Nicodemos como sendo um dos fariseus, “um dos principais dos judeus” (Jo 3.1). Do que ficou escrito podemos inferir que Nicodemos pertencia à hierarquia judaica. Ao mencionar que ele era um fariseu, membro de uma seita religiosa das mais conservadoras, cujo nome significa “aqueles que são separados”, João tenciona chamar a atenção dos leitores para o fato de que aquele homem que estava procurando Jesus não era uma pessoa qualquer.
Imaginem que dividendos renderia tê-lo como um dos primeiros a se converter! Com que orgulho Jesus poderia ter-se jactado: “Tenho discípulos no alto escalão”. Não é estranho que Jesus não tenha dado a Nicodemos uma recepção maior e mais importante do que a qualquer outro? Ele não tentou nenhum tipo de persuasão e nem fez nenhuma promessa; não dispensou, tampouco, palavra alguma de elogio ou que demonstrasse ter reconhecido o “status” daquele homem.
Jesus ouviu as palavras gentis de Nicodemos: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2).
Quando Nicodemos parou de falar, Jesus não disse:
“O senhor chegou ao lugar certo. Continue fazendo o melhor que puder”. A presença de um dos grandes de Israel também não intimidou o Senhor. Ele não disse aquilo que muitos dos líderes cristãos atuais dizem quando falam com não-cristãos, principalmente aos que vêm de outras religiões como o budismo, o islamismo, o hinduísmo ou o espiritismo: “Você” conhece uma parte da verdade e nós estamos com a outra parte, e, afinal, estamos todos lutando juntos”.

Jesus olhou de frente para aquele líder religioso, competente e conceituado, e disse-lhe apenas: “É preciso nascer de novo”. Não disse a Nicodemos aquilo que ele queria ouvir, nem o elogiou por ter vindo vê-lo, ou ouvi-lo. Tampouco procurou influenciá-lo para que se tornasse um dos seus discípulos. Em vez disso, transgrediu todas as boas normas de marketing, fazendo a Nicodemos uma exigência espiritual.

Nada de Transigências

De acordo com os padrões de muitos dos líderes atuais, Jesus cometeu um grande erro quando falou com Nicodemos. Qualquer curso de marketing de que já ouvi falar ensina que a primeira coisa que o vendedor tem de fazer é ser agradável com o comprador em perspectiva; é instruído a usar de lisonja ou adulação, a procurar algum ponto positivo ou de interesse do outro, e tecer comentários favoráveis em torno dele. Aprende também a mostrar cordialidade e abertura. E, acima de tudo, deve manter sempre um sorriso.
Muitos líderes, quando diante dos chefões e os poderosos deste mundo, tendem a diluir suas convicções — ou, pelo menos, falar delas com o maior cuidado, enfeitando-as e tornando-as o mais aceitável possível. Evitam ao máximo desapontar as pessoas principalmente no primeiro encontro. Jesus não respeitou essas regras.
A hora escolhida por Nicodemos para encontrar-se com Jesus indica que um homem na sua posição havia de sentir-se envergonhado de ser visto em público com aquele novo rabi controvertido, de nome Jesus. Os fariseus se aproximavam de Jesus de uma maneira condescendente, quase que ostensiva. Nicodemos representa muita gente na nossa sociedade de hoje que julga estar prestando enorme honra ao cristianismo quando declara:
“Nós — autoridades nas letras, árbitros do bom-gosto, representantes da opinião pública, jornalistas, escritores de revistas e outras publicações, comentadores e editores da TV, líderes dos movimentos sociais e filantrópicos — reconhecemos que Jesus foi um grande Mestre”.
Todavia, por mais ostensiva e condescendente que a atitude de Nicodemos tenha sido, a sua percepção mesquinha de quem era Jesus não mudou uma vírgula na atitude de “braços-abertos” do Senhor. Nem deveria a atitude de condescendência de nossa sociedade tornar-nos superiores ou amargos.
Como foi que Jesus conseguiu, ao mesmo tempo confrontar Nicodemos com coragem sem, contudo, deixar de amá-lo? Vamos examinar bem de perto que estilo de liderança Jesus revelou naquela noite.
Na qualidade de um jovem rabi de Nazaré, sem nenhum diploma ou respaldo das autoridades, Jesus se  deparou com uma oportunidade rara de penetrar bem no centro do Sinédrio. Não poderia haver nada mais agradável para um jovem e ardente líder espiritual do que ter, por parte dos homens sábios e influentes, o reconhecimento de ser ele também um mensageiro de Deus. Só depois de anos de ministério, ele poderia vir a receber reconhecimento e elogios a valer, mas não no inicio.
Jesus poderia ter sido absorvido pela lisonja. Poderia ter dito: “Estou honrado com sua presença aqui”, ou então, “é um grande privilégio para mim”, ou, ainda, “estou satisfeito que tenha reconhecido que fui enviado por Deus”. Isso faria muito sentido se o que o jovem rabi estivesse procurando fosse apenas reconhecimento.
Falando da maneira com que falou, Jesus mostrou coragem, audácia e compaixão. Não se preocupou em ir contra o “sistema” e nem ridicularizou Nicodemos. Alguns líderes tentam construir seus impérios rebaixando, ridicularizando, zombando, usando de sarcasmo, mantendo secreta uma grande animosidade. Jesus não usou de nenhum desses recursos.
Aqui Jesus demonstrou que seu estilo de liderança é tão versátil quanto precisa ser para cada ocasião que surge. Quando a multidão estava reunida no templo, Jesus não hesitou em expressar publicamente sua ira para com os vendilhões que haviam profanado a casa do Senhor.
Mas com Nicodemos agiu mansamente. Na quietude da noite não hesitou em manter um debate firme, contudo paciente, com ele.
Não faz muito tempo, assisti pela televisão a um debate entre um líder cristão e um conhecido humanista. Fiquei triste ao ver o líder cristão muito mais empenhado em conquistar a aceitação do público do que apresentar com firmeza as palavras de Cristo. Quanto mais insistentes se tornavam às perguntas do auditório, mais enfraquecida se tornava à mensagem de Cristo por ele transmitida.
A sociedade recebe de braços abertos os elementos da igreja que aceitam sem relutância todos os tipos de crença. Nossa cultura é receptiva aos líderes de igreja que não fazem exigências morais rigorosas. O mundo atual parece sempre disposto a receber uma cristandade sem força moral, irresoluta, que vê Deus em tudo e tudo em Deus. Mas esse não é o estilo de liderança de Jesus.
O estilo de liderança de Jesus exige coragem — para falar a verdade em amor. Há uma diferença entre amor e transigência.
Se alguma coisa aprendemos do estilo de Jesus, é que a verdade vem acima de tudo. Jesus nunca lançou mão de meios escusos para conseguir “vender mais”. Ele não facilitou as coisas com promessas.
Às vezes, chegou mesmo a desencorajar candidatos a segui-lo, mostrando as dificuldades e o preço do discipulado. Não desejava que abraçassem a nova fé ignorando o que o futuro reservava para os seus seguidores.

Os Espinhos da Coragem

Uma amiga nossa trabalhou vinte anos como agente no setor de reserva de passagens de uma das maiores companhias aéreas do mundo. Nos dois últimos anos, por três vezes teve problemas com seus supervisores por causa da sua honestidade.
Como a companhia começou a controlar as chamadas feitas de fora, descobriram que Bárbara tentava passar aos clientes informações completas sobre o serviço e os preços. Se um cliente precisasse voar dentro de determinado horário e a companhia não tivesse nenhum vôo marcado para a ocasião, ela procurava informação com as companhias rivais e a passava ao cliente. Certa feita chegou mesmo a dizer a um dos clientes que, naquele vôo, seria mais econômico para ele viajar por outra companhia.
Bárbara sentia que era preciso demonstrar integridade, embora estivesse também interessada em que sua companhia tivesse lucro. Ela poderia ter perdido o emprego. Mas conseguiu mantê-lo até se aposentar porque a companhia recebia cartas de clientes falando bem a seu respeito. Todos eles faziam questão de agradecer à companhia pela honestidade encorajadora daquela funcionária. Uma das cartas dizia: “Já viajei muito e nunca vi ninguém sugerir outra companhia a não ser que eu insistisse muito. Ela forneceu aquela informação voluntariamente. Quero que os senhores saibam que daqui por diante viajarei exclusivamente pela sua companhia.” Até à aposentadoria continuou ouvindo palavras de desagrado do seu supervisor. Mas ela disse que até preferia ter anotações depreciativas em sua ficha pessoal do que agir desonestamente com as pessoas. Infelizmente, essa companhia aérea não incentivou seus funcionários a seguirem o exemplo de Bárbara — mas permitiu que ela trabalhasse dentro de seu próprio esquema, porque compreendeu que estava sendo beneficiada com isso.
Se esse esquema traz vantagens ou não, o fato é que os verdadeiros líderes têm um posicionamento definido em relação aquilo em que crêem . Esta é a opinião de um líder sobre o assunto: “Se transijo com um princípio para agradar alguém, como é que vou estabelecer os meus padrões”?

A Coragem de Cristo

Em lugar algum da Bíblia vemos Jesus pedir a seus seguidores que tenham uma grande coragem. Em nenhum lugar ele disse: “Jamais transijam com seus valores”. Ele não precisava dizê-lo! Seu exemplo era suficiente.
No segundo capitulo de João, por exemplo, nosso Senhor manteve seu posicionamento contra todos os líderes judeus do seu tempo, porque eles haviam transformado sua casa numa casa comercial. Ele os enxotou com açoites e virou suas mesas. Repreendeu-os duramente por sua corrupção.
Numa ocasião, quando eu estava ensinando sobre esse texto, um jovem promissor aluno, homem de negócios, interrompeu: “Sempre achei isso aí a coisa mais tola do mundo. Ele fez isso, mas no dia seguinte o pessoal voltou, colocou as mesas de volta no lugar e continuou a fazer a mesma coisa”.
Antes que eu pudesse replicar, uma jovem dona-de-casa retrucou: “Às vezes temos que agir simbolicamente. Jesus não podia limpar o templo todos os dias. E nem pretendia fazê-lo. Ele poderia ter passado todo o seu ministério procurando meios de derrubar as mesas e enxotar os vendilhões. Mas ele usou aquela ação como um meio para atingir toda a nação judaica; com aquele ato tão significativo ele mostrou a todos aquilo em que cria e o que ele próprio representava”.
Eu, certamente, não teria tido melhor resposta do que essa.
Não precisamos de mais moralistas na nossa sociedade atual; o mundo está cheio deles. Precisamos, sim, de líderes que nos conduzam corajosamente, que conheçam a verdade e a proclamem sem medo. Não precisamos que nos digam quais são as nossas abnegações; precisamos da coragem de Cristo para fazer aquilo que já sabemos muito bem que devemos fazer.

Coragem na Luta

Certo líder disse: “Os líderes escolhem suas próprias batalhas. Mas não podem vencer todas elas. Estão sujeitos a perder algumas durante a campanha, mas podem vencer a guerra”.
A liderança é, muitas vezes, uma batalha, e a luta requer coragem.
Ter coragem não significa nunca sentir medo ou vacilar; não quer dizer que você nunca vai se sentir confuso, nem perguntar: “Oh Deus! será que é certo o que estou fazendo?” Ter coragem é fazer o que é certo, independente das conseqüências.
Martinho Lutero, o ardente reformador do século XVI, foi um homem de muita coragem. Ele desafiou a igreja daquela época, o papa e outros líderes religiosos e seculares. Em 1521 apareceu diante da Dieta Germânica, na cidade de Worms, e, embora tivesse a promessa de ser protegido, sabia muito bem que estava arriscando a vida. A mesma promessa tinha sido feita a João Huss um século antes, e ele tinha sido queimado na fogueira. Os líderes da igreja prometeram a Lutero perdoá-lo caso se arrependesse dos “erros” e voltasse à “fé verdadeira”. Lutero sabia que essa promessa tinha pouco valor, porque para eles uma promessa feita a um herético não precisava ser cumprida. Ele conhecia a história dos dois séculos anteriores, quando mulheres de cristãos tinham sido torturadas, e muitos outros mortos durante a infame Inquisição Espanhola.
Lutero conseguiu chegar à corte em segurança, mas foi-lhe negada a oportunidade de defender suas teses. Em vez disso, apresentaram-lhe uma lista dos “erros” nelas contidos. Mesmo sabendo que a corte podia decidir sobre sua vida ou morte, quando instado a dizer se se retrataria, sua resposta foi:
“A menos que eu esteja convencido do erro através do testemunho das Escrituras (já que não deposito fé na autoridade insustentável do papa e dos concílios, porque está claro que eles tem errado muitas vezes e que, também, muitas vezes tem entrado em contradição uns com os outros), e com as Escrituras para as quais apelei, não poderei me retratar e nem me retratarei de nada, porque agir contra a própria consciência não é certo, nem nos é permitido.
Por isso mantenho minha posição. Não posso agir de outra forma.
Que Deus me ajude. Amém”.
(T.S. Lindsay, A History of the Reformation, Charles Scribner’s Sons, p.257).

Através dos séculos homens de Deus tem assumido seu posicionamento.
Mantiveram-se firmes em nome da verdade, da integridade e da justiça, qualquer que tenha sido o seu campo do trabalho.

A Coragem em Ação

Alguns anos atrás, havia na Austrália um líder cristão — vamos chamá-lo de Jim — , que trabalhava para o governo. Logo na sua primeira semana do trabalho, seu superior perguntou-lhe se ele gostaria de “fazer umas horas extras”. Como precisasse de dinheiro, Jim disse que sim.
Na primeira noite, seus companheiros sentaram-se a uma mesa para jogar cartas. Quando perguntou pelo trabalho que devia fazer, sou supervisor disso: “Que trabalho? Hora extra é ficar por aqui ‘fazendo cera’ e bater o ponto depois do expediente”.
Jim não se deixou intimidar. Em vez disso, o que fez foi repreendê-lo : “Se estamos sendo pagos para trabalhar, temos de trabalhar”.
Os outros empregados não só se aborreceram com Jim, como até começaram a persegui-lo.
Primeiro impediram que ele fizesse qualquer hora extra; depois, a chefe deu-lhe as piores tarefas. Naquele escritório Jim começou a ficar conhecido por “bíblia”, “pastorzinho”, “fanático” e por mais uma porção de apelidos pejorativos.
Jim se manteve firme. O chefe disse: “Você é um cara legal — esquece esse negócio de lealdade. Faz como os outros e você vai ganhar muito mais dinheiro.”
“Tenho que trabalhar se estou sendo pago para isso. Jogar cartas nas horas de trabalho, quando estamos ganhando extra, não condiz com minhas convicções”.
A situação acabou se tornando insuportável e Jim teve de deixar o trabalho. Antes de sair, o chefe do departamento chamou-o ao escritório e disse-lhe que sua posição tinha mudado a atitude de outros empregados. As pessoas tinham começado a falar em um nível de consciência muito mais alto do que jamais se ouvira naquela empresa.
A coragem de Jim tinha feito dele um líder. Sua recusa em agir como os demais foi honrada por Deus, que desde então o tem abençoado abundantemente, quer no setor financeiro, quer na vida espiritual. Foi o próprio Deus que prometeu: “aos que me honram, honrarei” (1 Sm 2.30).

O Preço da Coragem

Os cristãos que estão em cargos de chefia sabem que um posicionamento definido pode significar prejuízo financeiro, e até mesmo perda de emprego. Os empregadores podem acusá-los de deslealdade.
Mas um líder corajoso sabe que agradar a Deus deve ser a prioridade máxima em sua vida.
O apóstolo Paulo lutou com o problema de agradar a Deus ou conquistar a aprovação dos outros. A epístola aos gálatas mostra isso claramente. Paulo tinha transmitido aos gálatas a mensagem evangélica de que Deus salva através da fé em Cristo — e que isso era tudo. Depois que ele saiu da Galácia, apareceu um grupo de mestres dizendo aos membros da igreja que era preciso que eles cressem em Jesus e se submetessem à circuncisão.
Paulo se lhes opôs: “Absolutamente não!” Ele sabia que aqueles homens estavam ensinando um “evangelho diferente” (Gl 1.6). Insistiu com o povo para não dar ouvidos aqueles cristãos judaizantes e concluiu dizendo:
“Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? Ou procuro agradar os homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).
Essas palavras exigiram coragem. Elas provocaram controvérsia, causaram ira nas pessoas. Paulo provavelmente perdeu um bocado de amigos com esse debate. Mas ele se manteve firme por uma questão de princípio. Hoje podemos nos alegrar porque Paulo tornou clara para sempre que a base da vida de um crente é a fé em Jesus Cristo. Não temos que “completar” nossa fé com práticas do judaísmo, nem precisamos de “Jesus e...”.
Reparem bem no risco dessa atitude corajosa. O bom-senso habitual deveria ter dito a Paulo: “Esse negócio não vai dar certo. Os judaizantes vão ficar tão irritados que acabarão voltando-se contra Jesus. Você tem de falar com eles devagar, com jeito”. Mas Paulo, do mesmo modo que Jesus, não vivia pelos padrões do bom-senso prevalecente. Seu estilo de liderança estava num nível mais elevado.

Nicodemos: O Resto da História
E aquela história do encontro de Nicodemos com Jesus, a que nos referimos antes? Foi corajosa, mas, em ultima análise, surtiu efeito?
Uma passada pelo Evangelho de João mostra que Nicodemos mais tarde fez uma tentativa um tanto fraca de defender Jesus, quando disse aos líderes religiosos que não condenassem Jesus sem submetê-lo a julgamento no tribunal. “Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: Acaso a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? Responderam eles: dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia não se levanta profeta”. (Jo 7.50-52.)
Mais tarde, porém, Nicodemos tomou realmente uma posição de coragem. Depois da crucificação de Jesus, o abastado José de Arimatéia pediu a Pilatos permissão para sepultar o Senhor em seu próprio túmulo. E ai aparece na Bíblia a última menção a Nicodemos: “E também Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus à noite, foi, levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés” (Jo 19.39). Os dois homens juntos colocaram o corpo de Jesus no túmulo. Com este ato, Nicodemos declarou abertamente que era seu discípulo.
Fora preciso bastante tempo para que Nicodemos admitisse que era seguidor de Jesus. Mas, quando se tornou mais perigoso declarar sua condição de discípulo, ante o evento da cruz, ele encontrou coragem — ou melhor, a corajosa liderança de Jesus contagiou-o.
Parecia que da cruz fluía audácia para Nicodemos; ele ajudou a preparar e sepultar o corpo de Cristo.
Não resta dúvida de que, quando Nicodemos olhou para Jesus na cruz, lembrou-se daquela noite em Jerusalém, quando o Senhor lhe havia dito:
“Assim importa que o Filho do Homem seja levantado” (Jo 3.14).
Talvez fosse aquela lembrança que tivesse varrido toda hesitação e todas as dúvidas da mente de Nicodemos.
Tudo tinha começado quando Jesus mostrou coragem no trato com Nicodemos. E isso também é uma característica do seu estilo de liderança.



Tirado do livro: “O estilo de liderança de Jesus”
AUTOR: Michael Youssef


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